Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Dilma, em Fortaleza, tenta acalmar os ânimos da militância petista

Sexta, 28 de Novembro de 2014 às 13:36, por: CdB
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Rui Falcão, presidente do PT, presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, que não estará no encontro em Fortaleza
A presidenta Dilma Rousseff confirmou, nesta sexta-feira, o comparecimento à primeira reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, após as eleições. O encontro, que acontece até este sábado na capital cearense, será comandado pelo presidente nacional do partido, Rui Falcão, com início a partir das 10h (horário local) desta manhã. Na pauta, estão a agenda partidária para 2015, a reforma política e a Lei da Mídia, entre outros assuntos. Também confirmaram presença parlamentares e governadores eleitos, entre eles Camilo Santana (CE), que obteve 53,35% dos votos válidos. O Estado foi responsável por mais de 3,5 milhões de votos para Dilma no segundo turno das eleições presidenciais de 2014. A presença da presidenta Dilma, segundo integrante do Diretório Nacional afirmou ao Correio do Brasil, em condição de anonimato, "visa acalmar os ânimos que, depois da nomeação de Joaquim Levy, ficaram mais acirrados do que o normal nestes últimos dias". – Setores importantes do PT estão prestes a começar a atirar, com munição pesada, dentro da própria trincheira. Este é um momento delicado na vida da legenda, que venceu a eleição majoritária mas viu seus espaços se reduzirem no Congresso para a formação de uma maioria conservadora, com espaços cada vez maiores para a ultradireita. A possibilidade de um golpe paraguaio é sempre preocupante – disse. Ao longo desta semana, com o início dos anúncios da nova equipe ministerial, a presidenta Dilma provocou uma série de descontentamentos entre petistas. Em âmbito local, a ausência de integrantes do partido na equipe de transição do governador Camilo Santana também foi alvo de protestos, classificados por Santana como “falta de maturidade” da cúpula petista estadual. Dilma e Santana têm encontro marcado, a portas fechadas, durante o evento petista para "ampliar o diálogo com descontentes do próprio partido e aprovar resolução reforçando bandeiras da legenda", disse um dos organizadores do encontro. Os líderes da legenda também buscam traçar estratégias para evitar “fogo amigo”, no momento em que enfrentam a oposição, fortalecida das urnas. Integrante do Diretório Nacional do PT, o ex-secretário de Cidades do Ceará Joaquim Cartaxo, em conversa com jornalistas locais, preferiu não valorizar a tensão latente na direção da legenda. Segundo afirmou, existem “posições individuais de um ou outro militante”, com o restante do partido estando unido em torno do projeto de Dilma para o novo governo. – A montagem do governo é uma decisão da presidenta. Um militante que quer dizer que é contra ou a favor, ele é livre. Essa é a posição dele. Mas esta discussão não está colocada no Diretório. Nós entendemos a prerrogativa da presidenta – disse. Segundo Cartaxo, o evento deverá ser centrado em “debates de conjuntura política”. Presidente do PT no Ceará, De Assis Diniz preferiu destacar o "peso simbólico" da escolha de Fortaleza para sediar o encontro. – Mostra uma construção de identidade e proximidade entre o partido e o Camilo e o Cid. É um gesto de prestígio – diz, destacando que economia e construção do “projeto das urnas” serão centro do evento. Simbolismo Vice-presidente nacional do PT, o deputado federal José Guimarães (CE) afirmou, no início desta tarde, que a primeira reunião do Diretório Nacional do partido após as eleições presidenciais, em Fortaleza (CE), é determinante para discutir as ações do partido para os próximos quatro anos. – É uma reunião da mais alta importância para o PT, o ponto alto daquilo que nós pretendemos discutir para os próximos, quatro anos, o balanço das eleições e o plano de ação do partido naquelas ações que iremos desenvolver em 2015 e 2016 – disse Guimarães. Na linha do dirigente petista do Ceará, o vice-presidente da legenda reafirma que a escolha de Fortaleza para sediar a reunião é uma forma de aproximar o partido nacional do local, e também dos governos da presidenta Dilma Rousseff e do governador eleito, Camilo Santana. – Eu considero que essa reunião tem um simbolismo grande para o Ceará, é o reconhecimento do nosso trabalho e principalmente como forma de estreitar cada vez mais a parceria – afirma o vice-presidente do PT. Além disso, segundo Guimarães, o partido avaliará, durante reunião do diretório, a situação econômica do País e as novas medidas previstas pela presidenta Dilma, como a nova equipe ministerial anunciada nesta quinta-feira (27). Farão parte da equipe econômica no segundo mandato Alexandre Tombini, na presidência do Banco Central, Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, e Nelson Barbosa, no Ministério do Planejamento. – Nós temos a convicção de que o programa econômico que será executado corresponderá ao programa eleito, nas urnas, pelos brasileiros – diz Guimarães. Para o governador eleito pelo PT no Ceará, Camilo Santana, a reunião também será importante para avaliar o resultado das urnas e o futuro do partido. – É um momento de muita reflexão. Temos um grande desafio no Ceará, pois é a primeira vez que o partido se elege para governar o estado. Nós temos a responsabilidade de dar respostas à população do nosso estado, principalmente a mais pobre – conclui Santana. Ponto de tensão Em Fortaleza, na prática, a presidenta Dilma Rousseff começa a promover o ajuste político que levará a termo no segundo mandato. Dilma está preparada para defender, no encontro, as escolhas de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda, Nelson Barbosa para o Planejamento e Alexandre Tombini na permanência do Banco Central, criticadas por setores petistas. A presidenta também visa reduzir o "ponto de tensão na relação entre ela e o partido", como observou a comentarista de política Teresa Cruvinel, em seu blog. "Até agora, não houve conversa alguma sobre os demais ministérios", acrescentou. Depois da escolha de Kátia Abreu sem consulta aos peemedebistas, a presidente prometeu uma pasta a mais ao partido de Michel Temer, que agora somará seis, e ainda tem que acomodar o PP, o PROS, e o PC do B. Nesse cenário, o PT calcula que deve perder espaço na Esplanada dos Ministérios. Um terceiro assunto ainda na pauta do encontro, segundo a colunista, "é a reforma política, que o partido transformou em bandeira a partir das manifestações de 2013 e do segundo grande escândalo de corrupção, o da Petrobrás, relacionado, como o do mensalão, ao financiamento da política", diz. Segundo ela, "no mundo da política todo mundo sabe. Reforma política é assunto que se enfrenta no início do governo, ou então não se fala mais nisso, porque não vai sair". Por isso, finaliza Tereza, "ele também deve entrar na pauta da reunião de Fortaleza".
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