Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Dilma e seu segundo mandato

Por Rui Martins - Parodiando de Gaulle, para quem era difícil governar um país com 360 tipos de queijos, poderíamos dizer não ser nada fácil, para a reeleita Dilma Rousseff, governar uma população tão diversificada com cerca de 140 tons de pele, conforme levantamento de identificações de frequentadores do Facebook, publicado no suplemento Das Magazin, do jornal suíço Tages Anzeiger.

Sexta, 31 de Outubro de 2014 às 13:00, por: CdB
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Inconformados com a derrota os adversários de Dilma se preparam para a revanche
Parodiando o francês de Gaulle, para quem era difícil governar um país com 360 tipos de queijos, poderíamos dizer não ser nada fácil, para a reeleita Dilma Rousseff, governar uma população tão diversa com cerca de 140 tons de pele, conforme levantamento de identificações feitas pelos próprios frequentadores brasileiros do Facebook, publicado no suplemento Das Magazin, do jornal suíço Tages Anzeiger. É verdade que essa população embora epidermicamente diversa estaria polarizada apenas em petistas e antipetistas e o Brasil estaria dividido em duas partes, separadas pela muralha dos votos, norte e nordeste contraposta a centro, sudeste e sul? O veterano Jânio de Freitas, antigo UH Rio de Samuel Wainer, comentarista independente nas Folhas, nega haver a rachadura anunciada, porém no Facebook explodiram as ofensas aos nordestinos e o jornal paulista A Tribuna, de Santos, chegou mesmo a dedicar uma página ao flagrante da intolerância e preconceito nas redes sociais. Inconformados com o resultado da votação, num pleito com excessos e ofensas mas democrático, muitos aecistas derramaram pela Internet sua ira de tendência separatista contra os Estados nos quais Dilma venceu, como se a eleição presidencial tivesse revelado a existência de uma fratura latente separando nortistas e nordestinos dos sulistas. Não tão variada como os matizes epidérmicos mas igualmente bastante diversificada é a inflação partidária brasileira, embora boa parte dos partidos esteja pronta a aderir ao governo, dependendo da oferta. Essa proliferação partidária estaria comprometendoo o bom funcionamento da vida partidária e um enxugamento partidário seria um dos principais objetivos da reforma política, anunciada pela presidente Dilma, logo após sua reeleição. Com a reeleição, não há para a presidenta Dilma uma data obrigatória de começo do novo governo, podendo ela antecipar nomeações de ministros, adiar suas substituições e novas escolhas para alguns meses depois, como fez Lula na sua reeleição, ou simplesmente observar a continuidade. A presidenta priorizou dois objetivos de seu governo, logo depois de anunciada sua vitória: a reforma política e o combate à corrupção. Porém, ainda antes de sabermos o teor da reforma política anunciada, já ficou definido, nestes dias, pós-eleição, que não se fará a reforma por plebiscito e caberá ao Legislativo e não ao Executivo defini-la. Em outras palavras, Dilma prometeu algo que provavelmente não poderá controlar, mas será da alçada dos novos deputados e senadores, na maioria conservadores e não interessados nessa reforma. E no que consistiria essa reforma política? A presidenta não deixou claro mas deveria incluir uma drástica redução no número dos partidos políticos; um fortalecimento do voto partidário em lugar do atual voto pessoal; a proibição da reeleição nos cargos públicos, em favor de um único mandato de cinco anos para prefeitos, governadores e presidentes; o melhor controle do financiamento das campanhas eleitorais impedindo-se a participação de doações empresariais; a modernização da gestão das empresas estatais; e a limitação ou proibição do uso de Medidas Provisórias decretadas para se poder governar. E a corrupção? Considerada até há pouco como um falso debate, talvez por afetar tanto políticos da direita como da esquerda, a questão da corrupção, epidemia nacional, assumiu proporções maiores nos debates da campanha presidencial e exige hoje uma intervenção do governo, senão para sua extinção ao menos para sua redução. Porém, acabar com a corrupção nos órgãos públicos não depende exclusivamente da presidenta e exigiria um hercúleo esforço de renovação nacional. Entretanto, ao que parece, os derrotados de domingo, não menos envolvidos em corrupção, ameaçam preferir atacar apenas as denúncias recentes de corrupção sem intenção de usar a memória ou de criar meios que dificultem o acesso a formas de corrupção. Anuncia-se uma forte oposição e mesmo o risco de proporem um impeachment às vésperas das Olimpíadas. Essa oposição já começou com o esvaziamento do Decreto pela criação de conselhos populares. Depois de ter adotado, durante seu primeiro mandato, o princípio de não mexer na estrutura da mídia e não apoiar e nem incentivar o desenvolvimento da imprensa nanica de esquerda, financiando indiretamente a grande mídia com verbas publicitárias e perdoando suas dívidas, como defendiam os ministro Paulo Bernardo e Helena Chagas, voltou ao debate a questão da regulação da mídia, com uma provável nomeação de Ricardo Berzoini para dar prosseguimento ao plano do ex-ministro Franklin Martins. Haverá clima para isso ? Dilma prometeu aos blogueiros intervir nesse vespeiro sem utilizar a censura e sem afetar a liberdade de expressão da imprensa, depois do ingrato comportamento da imprensa de direita durante a campanha eleitoral. Mas tudo isso é ninharia diante dos grandes desafios estruturais deste segundo mandato de Dilma - reencontrar o caminho do crescimento econômico, estancar a inflação, evitar uma revalorização do dólar e o aumento dos juros, que nesta semana já recomeçam a subir. Rui Martins, jornalista, escritor, líder emigrante, editor do Direto da Redação
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