Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Dilma e Serra discordam quanto necessidade de reforma na Previdência

Segunda, 17 de Maio de 2010 às 08:20, por: CdB

Pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff descartou nesta segunda-feira uma reforma na Previdência Social defendendo a realização de ajustes sistemáticos após discussão com a sociedade.

– Defendo que a gente ajuste a Previdência. Se aumentou a expectativa de vida da população, tem que ajustar para que a Previdência dê conta, não vai cair do céu... Tem que arrumar mais dinheiro, vai ter de mudar as regras e negociar a mudança de regras com a sociedade. A experiência demonstra que é melhor fazer ajustes tópicos, sistemáticos e não uma grande reforma – disse Dilma em entrevista à rádio CBN.

Ela afirmou que outros países tiveram problemas com grandes mudanças.

– A reforma apresentou armadilhas. Os países que fizeram tiveram problema com a corrida à aposentadoria – afirmou.

Na semana passada, em entrevista à mesma rádio, o pré-candidato do PSDB, José Serra, defendeu a adoção da reforma do sistema previdenciário. Dilma também rebateu a acusação feita pelo ex-governador Serra quanto ao aparelhamento do Estado pelo PT. Segundo ela, a agência paulista de transporte tem à frente um deputado federal tucano e "nem por isso acho que está aparelhada".

Ela afirmou também que é candidata com trajetória de esquerda.

– Sou uma pessoa com trajetória de esquerda, agora, sou sobretudo a candidata de um projeto que mudou o modelo deste país – disse, citando a distribuição de renda e prevendo a erradicação da miséria extrema nesta década.

Saúde

Dilma também criticou na entrevista à CBN, o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Talvez seja preciso, segundo afirmou, rever o modelo de cobrança dos impostos para garantir os recursos que a saúde necessita, após as perdas com o fim do imposto sobre o cheque.

– Não vi resultados práticos no que se refere ao bolso do consumidor (com a queda da CPMF). Acho que houve uma perda de capacidade de fiscalização quando a CPMF caiu. E a perda de R$ 40 bilhões para se aplicar em saúde no Brasil. Não é necessariamente a volta da CPMF, mas há que regulamentar o artigo 29 e garantir que haja os recursos . Você não tira R$ 40 bilhões e fica por isso mesmo. Não é possível ter visão tão sem compromisso como está – afirmou Dilma.

Questionada se a carga tributária deveria ser elevada para garantir os recursos, a pré-candidata afirmou:

– Acha que vamos ter que ser responsáveis, vai ter que aumentar recursos para saúde. Acho que se deve tentar (aumentar os recursos sem elevar impostos). Não sei se é possível – apontou a petista.

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