Dilma e Putin cumprimentam-se, no Palácio do Planalto, antes da reunião reservada que mantiveram
Antes de seguirem para a 6ª Reunião de Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que começa nesta segunda-feira, na capital cearense, os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Brasília para assinar acordos bilaterais. Os dois mandatários mantiveram encontro reservado, no Palácio Planalto, seguido de reunião ampliada, com a participação de ministros dos dois países.
Dilma tem agenda confirmada em Fortaleza, ainda nesta noite e o mandatário russo seguiu para a capital cearense logo após o almoço. Os dois presidentes estiveram reunidos na tarde deste domingo, durante a final da Copa do Mundo, no Estádio do Maracanã. Na ocasião, Dilma passou, simbolicamente, a Putin a sede da Copa. O próximo mundial será realizado na Rússia, em 2018.
No encontro do Brics, empresários dos países que compõem o bloco vão debater o comércio e os investimentos entre os cinco países. Nesta tarde, encontraram-se também em Fortaleza os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do bloco, além dos ministros do Comércio, e diretores de bancos de desenvolvimento dos cinco países.
Banco de desenvolvimento
Na pauta dos ministros e executivos financeiros estatais está a negociação em torno Novo Banco de Desenvolvimento (New Development Bank, em inglês) que chega com capital de US$ 50 bilhões e a missão de financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países dos Brics. O acordo que cria o NDB é um dos quatro que serão assinados por presidentes que integram o grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), na reunião desta terça-feira, em Fortaleza.
O banco, assim como o acordo que permitirá aos países se socorrerem mutuamente em caso de crises de balanço de pagamentos, são tentativas de mostrar músculo na diplomacia internacional, uma vez que a reforma de organismos como FMI e Banco Mundial continuam emperradas e os Brics não conseguem aumentar seu poder de influência nas decisões desses órgãos. A declaração final dos presidentes após a cúpula deve reforçar o desagrado com o atraso nas reformas, especialmente do FMI.
O Brasil é um dos favoritos para a Presidência do banco e, por isso, não se candidatou a sediar a instituição, como o fizeram China e Índia. Na avaliação de técnicos do governo brasileiro, o primeiro presidente terá grande influência na forma de atuação e na definição das políticas que serão seguidas pelo banco no futuro. Os países ainda não definiram o local e quem ficará no comando do NDB, mas há um esboço de acordo no qual, segundo a delegação brasileira, de que o país-sede será o último a assumir a Presidência, que prevê mandato de cinco anos sem direito a recondução. O critério que definirá a rotatividade entre os Brics terá que ser decidido pelos ministros da Fazenda, que fazem encontro preparatório nesta tarde.
Financiamento aos Brics
O NDB, segundo seus idealizadores, deverá chegar como uma instituição financeira com um total de US$ 50 bilhões em caixa. Cerca de 20% serão alocados em dinheiro, com parcelas de US$ 2 bilhões para cada um dos sócios. Num primeiro momento, o banco emprestará apenas para governos e apenas em casos excepcionais para países que não fazem parte dos grupo dos Brics. Segundo observadores do governo brasileiro, o NDB deverá financiar países de fora dos Brics quando, por exemplo, empresas de um dos sócios estiver envolvida no projeto. Além disso, a ideia é que as operações do banco, assim como sua estrutura de capital, consigam obter notas de crédito das agências internacionais de avaliação de risco superiores àquelas dos países membros. Para começar a funcionar, o banco precisará contar com a aprovação de todos os membros, o que no caso do Brasil significa votação pela Câmara e Senado.
O acordo de compartilhamento de reservas internacionais também será finalizado no encontro. Os membros do grupo se comprometerão a abrir linhas de crédito em moeda forte no valor de até US$ 100 bilhões, caso algum dos sócios sofra com problemas de balanço de pagamentos. O acesso à maior parte dos recursos da linha, no entanto, estará condicionado a acordo de ajuste fiscal com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
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