Embora não confirme a intenção de concorrer à sucessão presidencial em 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff disse que já está no futuro, por participar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– Eu venho de uma certa forma do futuro. Eu venho de Jubarte, onde jorrou o primeiro petróleo do pré-sal – disse Dilma em seminário comemorativo dos 40 anos da revista Veja, no final da noite desta terça-feira, em que o tema foi O Futuro do Brasil. O Brasil que Queremos.
A ministra referia-se à cerimônia de extração do primeiro petróleo localizado na camada de pré-sal, de onde se prevê a produção de óleo em larga escala. O campo de Jubarte fica localizado no litoral do Espírito Santo e, além de Dilma, o evento contou com a presença do presidente Lula nesta terça-feira.
– O futuro já começou, vem sendo construído pelo governo Lula – declarou Dilma, mencionando o crescimento econômico com distribuição de renda e justiça social e a mobilidade social, com a ascensão de parcela das camadas D e E a uma nova classe média.
Ela também afirmou que não se trata de optar entre um Estado mínimo e um Estado máximo. "Estado precisa de mais recursos e mais bem destinados e não menos recursos", defendeu.
Na mesma condição de Dilma, foram convidados a discursar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB).
Em entrevista, Ciro afirmou que Dilma seria uma parceira "mais fácil" para uma dobradinha na corrida presidencial do que Aécio porque enquanto o governador mineiro faz oposição ao governo Lula, a ministra e ele militam no mesmo campo e são grandes amigos.
Questionada sobre a hipótese de Ciro, Dilma confirmou apenas que os dois são amigos.
– Gosto muito dele, tenho grande estima – afirmou.
A ministra despistou todas as perguntas sobre sua eventual candidatura à Presidência pelo PT, chegando a dizer que não cairia em armadilhas dos jornalistas.
– Eu não trabalho com hipóteses. Eu sou ministra experiente o suficiente para nunca me enrolar com vocês da imprensa – retrucou.
Ciro preferiu não especificar qual dos dois seria cabeça de chapa.
– A Dilma é mais fácil porque ambos militamos no mesmo campo e somos grandes amigos. A Dilma é uma figura extraordinária, como o Aécio, sendo que ela tem mais estrada na vida nacional, embora estrada nenhuma na questão eleitoral – disse.
Questionado sobre quem ocuparia a vice-presidência numa chapa Ciro-Dilma, o deputado afirmou que vai depender de arranjos políticos no momento da definição da candidatura.
Ciro, Dilma e Aécio, além do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estão no páreo para disputar a sucessão de Lula daqui a dois anos.
Aécio defendeu o fim da polarização entre os partidos da situação e da oposição com o objetivo de governar em prol da população e não de interesses partidários.
– Ou construímos a nossa convergência ou vamos reeditar a polarização das últimas eleições – afirmou Aécio no final do evento.