Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Dilma: Crise externa 'secou' crédito ao Brasil

Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff afirmou pela manhã, na Câmara dos Deputados, que o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam novas medidas para aumentar o crédito para investimento no país. Segundo ela, a crise econômica internacional fez com que o acesso ao crédito externo “praticamente secasse no país”. Equilíbrio fiscal impediu que efeitos da recessão mundial fossem piores no país

Quarta, 03 de Dezembro de 2008 às 10:38, por: CdB

Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff afirmou pela manhã, na Câmara dos Deputados, que o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam novas medidas para aumentar o crédito para investimento no país. Segundo ela, a crise econômica internacional fez com que o acesso ao crédito externo “praticamente secasse no país”. Dilma disse ainda que as medidas tomadas até agora pelo governo, como a redução do depósito compulsório feito pelos bancos e a manutenção da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) e do volume de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), objetivam fazer com que a desaceleração da economia brasileira seja a menor possível.

Para aumentar a oferta de crédito no mercado interno, informou a ministra, o governo estuda a manutenção das obras públicas e dos gastos sociais, além do corte no custeio da máquina pública. A ministra esclareceu também que as medidas tomadas para apoiar o setor agrícola visam a aumentar a disponibilidade de crédito para assegurar a produção.

A ministra discutiu com os parlamentares os impactos da crise econômica no Brasil e as ações do governo para enfrentá-la.

Equilíbrio fiscal

Outra avaliação da ministra é a de que o equilíbrio fiscal e uma dívida pública menor fizeram com que o Brasil fosse menos atingido pela crise financeira internacional do que outros países, inclusive nações em desenvolvimento. Para Dilma, no contexto global, a atual turbulência no sistema financeiro mundial é mais grave do que crises anteriores, como a de 1929 e a da década de 90. “As crises passadas foram de bilhões de dólares e essa é de trilhões de dólares”. Apesar de reconhecer que a crise também afeta o Brasil, a ministra reiterou que o governo tem condições de enfrentá-la.

Dilma observou que, nas crises anteriores, a fragilidade das contas públicas brasileiras, o baixo nível de recursos, a instabilidade do mercado e a indexação da dívida do país ao dólar fizeram com que “o governo fosse parte do problema e agora o governo tem sido parte da solução, devido ao equilíbrio fiscal”.

Ela argumentou que menor alavancagem (investimentos sem garantia de cobertura), baixa inadimplência, bancos públicos fortes e depósito compulsório elevado, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, fizeram com que o Brasil fosse menos atingido pela crise atual.

Dilma foi convidada para falar sobre os impactos da crise na implementação das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A audiência pública é promovida pelas Comissões de Finanças e Tributação; de Desenvolvimento Urbano; de Fiscalização Financeira e Controle; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; e de Viação e Transportes.

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