Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Dilma conversa com Oliver Stone sobre política na América Latina

Quarta, 02 de Junho de 2010 às 11:32, por: CdB

Pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff recebeu o cineasta Oliver Stone, que está no Brasil para divulgar o documentário Ao Sul da Fronteira. O encontro, fechado à imprensa, foi informal, segundo um integrante da equipe da Dilma. O site da campanha petista trouxe declarações elogiosas do cineasta norte-americano à pré-candidata.

– Falamos por uma hora e fiquei muito impressionado com ela. É muito inteligente, uma grande cabeça, tem muita informação. Sabe tudo de energia, de economia – disse Stone aos jornalistas, ao deixar a residência da ex-ministra, no final da tarde desta terça-feira.

Stone, vencedor dos Oscar de melhor diretor por Platoon e Nascido em 4 de Julho, afirmou que quis conhecê-la porque "ela é o futuro" e disse que o Brasil precisa dar continuidade às políticas do governo Lula. O documentário ao Ao Sul da Fronteira, exibido na segunda-feira em São Paulo e que deve estrear neste fim de semana, mostra conversas com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e Raúl Castro (Cuba)

Campanha

Se Dilma esperava o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua campanha, teve certeza da participação do ex-chefe no final da tarde, quando ele afirmou a operários, ainda que sem citar o nome da pré-candidata do PT, que fará campanha eleitoral em porta de fábrica.

– Não pensem que vão se livrar de mim porque eu, ainda este ano, virei fazer campanha na porta da Volkswagen, lá fora, lá fora – disse Lula em discurso na unidade da Volkswagen no ABC paulista.

Depois, na entrevista, ele explicou que entrará na campanha depois das convenções que oficializam as candidaturas, em junho.

– Não é proibido o presidente da República fazer campanha, quando a campanha começar. O que eu não quero é fazer nada que possa infringir a legislação eleitoral, e isso só me permite fazer campanha depois que forem feitas as convenções partidárias e que os candidatos estiverem oficializados – afirmou.

Sobre as multas que já recebeu da Justiça, disse que "obviamente que não cabe ao presidente da República criar nenhum constrangimento para a Justiça Eleitoral".

Multa

Lula falou após saber que o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a multa de R$ 5 mil aplicada ao presidente por propaganda eleitoral antecipada da pré-candidatura de Dilma, em solenidade oficial em Manguinhos (RJ), em maio do ano passado. Em abril, a corte já havia confirmado a multa aplicada, em decisão individual, pelo ministro auxiliar Joelson Dias, que entendeu que o presidente Lula fez propaganda extemporânea em favor de Dilma no evento de inauguração de um complexo poliesportivo.

Na noite passada, o TSE rejeitou novo recurso apresentado pelo presidente Lula contra a decisão do ministro. Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), Lula disse que foi penalizado por atos de terceiros; que houve na decisão desrespeito à garantia constitucional da liberdade de pensamento e que aplicou-se a ele uma jurisprudência mais severa do TSE sobre o assunto.

No voto do ministro Joelson Dias, foi reforçada novamente o entendimento de que o presidente da República incorreu em propaganda antecipada quando interagiu com o público, após aclamar o nome da então ministra, dizendo que esperava que se confirmasse "a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus".

Dias afirmou também que a liberdade de pensamento, garantida pela Constituição, não é um direito absoluto, já que o cidadão pode, por exemplo, vir a ter de responder perante a Justiça Eleitoral por eventual propaganda extemporânea cometida.

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