O prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin reuniram-se, na véspera, em São Paulo
O Partido Social Democrático (PSD), que integra o arco das forças da direita no país e, em São Paulo, apoia o governo tucano de Geraldo Alckmin, principal aliado do candidato tucano ao Palácio do Planalto, Aécio Neves, aprovou em convenção nacional nesta quarta-feira o apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, levando à coligação encabeçada pelo PT cerca de um minuto e meio de tempo de televisão na propaganda eleitoral gratuita.
Criado pelo então prefeito de São Paulo e atual presidente da legenda, Gilberto Kassab, o PSD aprovou o apoio a Dilma com 108 votos favoráveis, de um total de 114.
Questionado sobre o empenho efetivo de correligionário na campanha de Dilma, já que em diversos Estados o PSD tem fechado alianças com siglas adversárias do PT, Kassab afirmou que a decisão de apoiar a presidente nacionalmente reflete a vontade do partido.
– Se não tivesse o empenho ou a vontade de que o partido apoiasse, o Diretório não se manifestaria a favor dela – disse o presidente do PSD antes do anúncio oficial do apoio decidido pela convenção.
O PSD de Kassab – que foi eleito vice-prefeito de São Paulo numa chapa encabeçada por um dos maiores adversários do PT, José Serra (PSDB), de quem se tornou próximo – tem apoiado o governo Dilma nas votações no Congresso e ocupa a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. O partido conta com um das maiores bancadas na Câmara, o que é contabilizado na distribuição dos segundos da propaganda eleitoral gratuita.
Alternativa em São Paulo
Diante das dificuldades apresentadas pela candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha de crescer nas pesquisas de opinião, em SãoPaulo, o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles passou com louvor por uma consulta, na Convenção desta quarta-feira. Meirelles tornou-se o plano B dos conservadores alinhados a Dilma, na eleição para governador de São Paulo.
– Ele sempre recusou essa possibilidade, mas agora permitiu que o partido faça essa avaliação. É uma novidade. O partido já está avaliando essa possibilidade – comemorou Kassab.
O fato político, a ser confirmado, deverá provocar uma reviravolta no quadro eleitoral paulista. Centrista convicto, reconhecido como banqueiro e apaixonado pela política, Meirelles foi o candidato a deputado federal mais bem votada nas eleições de Goiás, em 2002. Ele nunca negou ter planos políticos, ele seria candidato a senador pelo PSD, embora não tenha externado seu desejo de concorrer. Agora, o que poderá acontecer é um troca de posição, para uma definição oficial: Meirelles para governador e Kassab, até aqui pré-candidato a governador, para o Senado.
O lançamento do nome de Meirelles pelo PSD faz parte de um chamado plano B do ex-presidente Lula para tentar a realização de um segundo turno no Estado. Hoje, a reeleição do governador Geraldo Alckmin tem mais de 40% de apoio nas pesquisas de opinião, o que lhe garantiria uma vitória em primeiro turno. A aposta de Lula no PT, o ex-ministro Alexandre Padilha, continua patinando nos levantamentos de opinião, com apenas 3% de intenções em média. À frente estão o ex-prefeito Kassab, que marcou 8% no Datafolha e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, com 21%.
Com a manobra em curso, Henrique Meirelles começa a ser uma opção definitiva na eleição paulista. Era o que Lula queria para tentar superar, com outro nome, aliado, as dificuldades enfrentadas no seu plano principal, da candidatura Padilha. Como o ex-ministro ainda, como se diz, não levantou a torcida e nem subiu nas pesquisas, o plano B saiu da gaveta. Meirelles, como se sabe nos meios políticos, não costuma fazer movimentos políticos sem realizar ele próprio uma consulta a Lula a respeito do que irá fazer.
Matéria atualizada às 15h36
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