Dilma despede-se dos anfitriões, em Doha, de onde seguiu para o encontro do G20, na Austrália
Apesar da surpresa com os termos duros da carta de demissão da senadora Marta Suplicy, que deixou o Ministério da Cultura, a presidenta Dilma Rousseff tratou de colocar 'panos quentes' e reduzir o tom do descontentamento que subiu, nos últimos dias, entre seus liderados no governo. Antes de seguir para a Austrália, após uma noite de sono no Qatar, Dilma afirmou, nesta quarta-feira, que Marta "não fez nada de errado" e que "seria uma injustiça" criticá-la pelo ato.
– A ministra Marta não fez nada de diferente, de errado, não teve atitude incorreta, seria uma injustiça (criticá-la) – afirmou a presidenta, a jornalistas.
Dilma Rousseff acrescentou que Marta disse a ela o "teor da carta" antes de sua viagem.
– Logo depois da minha eleição, disse que sairia e eu aceitei. Ela me disse que enviaria uma carta – acrescentou.
O texto escrito por Marta Suplicy surpreendeu o Planalto não apenas pelo tom, mas pelo fato de ter sido entregue assim que Dilma deixou o país rumo ao Qatar. A presidenta seguiu para Cingapura e, então, para a Austrália, onde participará da cúpula do G-20, e retorna ao Brasil no dia 18. Havia um acerto inicial com a Casa Civil era para que os ministros entregassem seus cargos a partir dessa data, para que Dilma desse início à reforma ministerial, mas esse prazo foi adiantado após a carta de Suplicy.
Sobre o tema, Dilma assegurou que não estabeleceu prazos para a saída dos ministros e anunciou que fará as mudanças nos ministérios "por partes", não "imediatamente".
– Não estabeleci prazo para ninguém sair. O Palácio não fala, é integrado por paredes mudas. Só quem fala sobre reforma é essa pessoa modesta que vos fala aqui – afirmou.
A presidenta se encontrou às 6h (horário de Brasília) com o emir do Qatar, xeque Tamin bin Hamad Al Thani, no Palácio Real Emiri Diwan. Em seguida, às 7h15, teve encontro com a xeica Moza bint Nasser, presidente da Fundação Qatar. Dilma visitou ainda o Museu de Arte Islâmica às 8h15. Sua partida de Doha para Cingapura está prevista para as 14h desta quarta-feira.
Quem não gostou do que leu, na carta da senadora petista por São Paulo, foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Prestes a deixar o governo, conforme anunciado pela presidenta ainda durante a campanha eleitoral, Mantega rebateu as críticas de Marta nesta manhã, antes de saber que a chefa havia contemporizado.
Em um desabafo junto à equipe, Mantega disse que Marta foi injunta. A então ministra da Cultura questionou a política econômica e fez torcida para que um novo nome à frente do Ministério da Fazenda possa "resgatar" a credibilidade do governo junto ao mercado.
– Das duas, uma: ou ela se rendeu ao discurso do mercado financeiro ou quer desviar atenção de sua gestão na Cultura. E não faltou dinheiro no ministério dela. O que faltou? Talento? – alfinetou Mantega.
Uma a menos
Ainda no Qatar, Dilma soube que fracassou a tentativa dos parlamentares de retomarem, nesta quarta-feira, as atividades da comissão parlamentar de inquérito (CPI) exclusiva do Senado que investiga irregularidades na Petrobras. Com a presença de apenas quatro do mínimo de sete senadores necessários, os requerimentos que estavam na pauta não puderam ser votados e o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), sequer conseguiu abrir a sessão.
Desde que iniciou os trabalhos, a CPI só teve a participação de senadores governistas, já que a oposição adotou a estratégia de concentrar esforços na comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) instalada com o mesmo objetivo. Agora, diante do esvaziamento da CPI do Senado, Vital do Rêgo não descarta que informações colhidas pela CPMI sejam usadas para elaborar o relatório final da comissão exclusiva.
– Os trabalhos são compartilhados, a CPI do Senado e a (comissão) mista têm documentos e essas reservas documentais são compartilhadas por força de um objetivo comum: apurar as irregularidades acontecidas na Petrobras. Nós tentamos, mais uma vez, organizar uma sessão deliberativa da comissão parlamentar de inquérito do Senado, depois do esforço que eu fiz para compatibilizar do calendário da CPI com o da CPMI, eu espero que até o último dia útil do ano legislativo possamos ter o relatório que possa compatibilizar os objetivos alcançados – disse Vital.
Na pauta da reunião desta quarta-feira, havia seis requerimentos na pauta. Entre eles o do senador Anibal Diniz (PT-AC), que pede ao Tribunal de Contas da União (TCU) cópias de todas as auditorias, tomadas de contas e demais fiscalizações relacionadas à compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Também estava previsto um requerimento de pedido de informações à Controladoria-Geral da União sobre os processos de segurança nas plataformas da Petrobras.
O relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), evitou a abordagem de jornalistas ao final da reunião e deixou a sala por uma saída alternativa. A próxima reunião foi agendada para terça-feira, quando haverá uma oitiva. No entanto, o nome do participante ainda não havia sido divulgado até o fechamento desta matéria.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.