Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Dilma apoia manifestações no Brasil e condena escutas-espiãs dos EUA

Sexta, 12 de Julho de 2013 às 08:03, por: CdB
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Manifestantes da CUT e do MST param no lago em frente ao Congresso
Ao desembarcar em Montevidéu (Uruguai) na noite passada, para a reunião de cúpula do Mercosul que teve início na manhã desta sexta-feira, a presidenta Dilma Rousseff fez um balanço dos protestos promovidos em todo o país. Segundo ela, “as manifestações têm que ser respeitadas” porque reivindicar direitos sociais “e querer mais é algo muito positivo para a democracia”. A presidenta criticou, no entanto, as interrupções de rodovias e os atos violentos que, em sua opinião, precisam ser condenados e coibidos pelo governo. – Nós contamos também com o Judiciário, para multar aquelas organizações e aquelas entidades que paralisam estradas porque o direito de ir e vir é fundamental. É um direito democrático – disse Dilma, em entrevista na porta do hotel em que está hospedada. Para ela, o governo deveria acelerar as reformas para atender às demandas da população: – Precisamos de melhor serviço no Brasil. A presidenta lembrou que, nos últimos dez anos, o país “avançou de forma expressiva”. Essas conquistas, disse, “vieram para ficar e não serão de nenhuma forma abaladas”. Cabe agora “aumentar os direitos sociais”. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante – que acompanha a presidenta na viagem a Montevidéu – também criticou o bloqueio de estradas porque “prejudica a vidas das pessoas e não constrói nada – não gera mais democracia, nem mais direitos sociais”. Ele disse que as manifestações precisam ser respeitadas, mas que os manifestantes também precisam respeitar os direitos dos outros. – Isso faz parte do amadurecimento e acho que está cada vez mais sólido – afirmou. Mercadante considera que os protestos estão “mais moderados”. Segundo ele, o Brasil está encerrando um ciclo. Para o ministro, a inflação vai cair. Ele voltou a defender destinação de 75% dos recursos dos royalties do petróleo e dos rendimentos do Fundo Social à educação e de 25% à saúde. Mercadante lembrou a licitação para o campo de Libra, na Bacia de Santos, em outubro. – É a maior licitação da história da economia internacional do petróleo. São entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris. A estimativa é que Libras produza, em 35 anos, US$ 1 trilhão aproximadamente. Usar essa riqueza para a educação é um grande avanço – afirmou. Mensagem dura Os líderes sul-americanos reunidos nesta capital preparavam uma mensagem dura a Washington, em relação às suspeitas de espionagem na região e ao seu direito de conceder asilo ao norte-americano que as denunciou, Edward Snowden. Ao cabo de duas semanas de relações abaladas por causa da saga Snowden, presidentes dos países do Mercosul reúnem-se em Montevidéu para uma cúpula em que os desentendimentos com os EUA deverão dominar a pauta. – Já discutimos a questão da espionagem no continente e as questões relacionadas ao direito ao asilo – disse o chanceler uruguaio, Luis Almagro, a jornalistas depois de discussões para o estabelecimento da pauta na quinta-feira na capital uruguaia. A América Latina acabou envolvida no caso Snowden porque três governos socialistas da região – Venezuela, Bolívia e Nicarágua – ofereceram asilo a esse ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês). O Mercosul é formado por Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Snowden está refugiado há semanas na ala de trânsito do aeroporto internacional de Moscou, num limbo jurídico. Os EUA querem que ele seja entregue para responder por supostos crimes contra a segurança nacional, e alertam que qualquer nação que lhe conceder asilo sofrerá consequências. – Acreditamos que a comunidade internacional deve exigir o direito de todos os cidadãos do mundo a solicitarem asilo: diplomático, político, humanitário, como vocês quiserem chamá-lo. A Venezuela irá exercer seu direito sob a lei internacional, independentemente de ameaças, independentemente de retaliações, independentemente de consequências – disse o chanceler venezuelano, Elías Jaua. Os líderes da região também estão irritados com as novas revelações de que a espionagem dos EUA na Internet atingiu também países latino-americanos, especialmente Colômbia, Venezuela, Brasil e México. A Colômbia, principal aliada dos EUA na América Latina, se somou ao coro de governos que exigem explicações depois da revelação dessas atividades clandestinas na região, feita na terça-feira pela imprensa brasileira. Além disso, na semana passada governantes latino-americanos saíram em defesa do colega boliviano, Evo Morales, cujo avião foi barrado no espaço aéreo de vários países europeus por causa da suspeita de que ele estivesse transportando Snowden. Em uma reunião na semana passada, presidentes sul-americanos de esquerda e centro-esquerda denunciaram o incidente como sendo uma atitude "neocolonialista" por parte da Europa e dos EUA. – Essas são questões que irão mostrar a unidade do Mercosul – disse o chanceler argentino, Hector Timerman, antes de embarcar para Montevidéu. A Bolívia é membro associado do Mercosul, e Morales deve participar da reunião de sexta-feira. Itamaraty condena Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota confirmou, nesta sexta-feira, a negociação dos países da América Latina para a adoção de uma posição conjunta de repúdio ao esquema de espionagem norte-americano. Os governos da Colômbia, do México, Chile, Equador e da Argentina também condenaram o monitoramento externo e cobraram explicações dos Estados Unidos. A presidenta começou o dia com um café da manhã com os demais líderes, depois há uma série de reuniões da cúpula. Dilma foi acompanhada pelos ministros Antonio Patriota, Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Helena Chagas (Comunicação Social). Durante as reuniões desta sexta-feira, os presidentes conversaram também sobre o processo de adesão da Bolívia e do Equador, além da Guiana e do Suriname como membros associados. Os processos envolvendo a Bolívia, a Guiana e o Suriname estão em estágio avançado.
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