A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta sexta-feira que foi montado, pelo governo, um banco de dados com informações sobre despesas com cartões corporativos para o caso de pedidos legais sobre os gastos.
A informação foi dada em rápida entrevista no saguão do hotel em Recife (PE), onde a ministra acompanha o presidente Lula em viagem oficial. Dilma disse que o banco de dados não é uma investigação e que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foi inspecionado pelo governo atual.
- Nós não investigamos o governo passado. Reiteramos que não foi feito dossiê. Não é possível, eu tenho certeza - afirmou.
Sobre a reportagem as publicada pela revista semanal Veja no último fim-de-semana e sobre a matéria publicada nesta sexta-feira pelo jornal paulista Folha de São Paulo Dilma disse apenas que não acha que a os meios de comunicação, que levantaram as informações sobre o suposto dossiê, tenham criado os fatos e montado falsas acusações. Ela admite que foi feito um banco de dados de caráter oficial, mas que não foi feito investigações.
- Não investigamos. Nós fizemos basicamente um banco de dados e fornecemos os dados para esse banco. Não acho que a Veja e a Folha montaram. Outros fizeram esse trabalho e vocês (imprensa) estão divulgando. Mas o governo não investiga a oposição - afirmou.
Folha de São Paulo
Nesta sexta-feira o jornal paulista Folha de São Paulo divulgou uma matéria em que a secretária-executiva de Dilma, Erenice Alves Guerra, se responsabiliza pela elaboração de um banco de dados detalhado sobre os gastos do ex-presidente.
A reportagem informa que o banco de dados foi criado paralelamente ao Suprim, sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo e que quando o trabalho de elaboração começou corriam as negociações no Congresso para investigar gastos com cartões corporativos do presidente Lula, que por pressão de governistas passaram a focar o período do governo tucano.
Com 13 páginas, o documento (para o governo não se trata de um dossiê, pois não foi feito investigação em cima dos dados coletados), registra com detalhes e fora da ordem cronológica diversos gastos, com ênfase nos feitos por Ruth Cardoso e naqueles envolvendo bebidas e itens como lixas de unha e veludo alemão.
Resposta rápida
A cúpula do governo avaliou que a situação de Dilma é crítica e sugere que ela dê uma resposta rápida às acusações divulgadas pelos meios de comunicação, nesta semana.
Para a cúpula, a ministra deveria demitir todos os envolvidos na elaboração do dossiê com gastos secretos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de sua mulher, Ruth, e ministros da gestão tucana.