Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Dilma admite que parte dos dados saiu de arquivo da Casa Civil

Sexta, 04 de Abril de 2008 às 17:54, por: CdB

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reconheceu nesta sexta-feiraque parte dos dados que integram o suposto dossiê sobre o uso de cartões corporativos no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do arquivo da Casa Civil.

— Tem uma parte que é verdade, que saiu do nosso banco —, disse, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, ao  acrescentar que o banco de dados da Casa Civil contém os gastos com hospedagem, alimentação e transporte.

A ministra levantou a hipótese de um computador da Casa Civil – "um bem público – ter sido invadido. Mas, indagada se acreditava na invasão, respondeu que estimativas do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) indicam que em 90% dos casos o vazamento é feito por alguém do próprio órgão e não descartou a possibilidade.

— Não estou com nenhum prejulgamento. Nem acho que não foi invasão nem acho que foi invasão – vamos investigar. Não vou fazer nenhuma suposição —, alegou, ao completar que o governo vai investigar até encontrar o responsável.

A ministra questionou a veracidade da planilha divulgada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, em matéria que afirma que o suposto dossiê saiu pronto da Casa Civil. Ela argumentou que na tabela publicada aparece uma coluna que, segundo Dilma, não existe no banco original, organizado de forma diferente. E sugeriu que qualquer um pode montar uma tabela da maneira que desejar.

— Tem uma coluna que não existe no nosso banco de dados. Os nossos dados não têm essa ordem —, alegou.

— Numa planilha de Excel, monta-se o que se quer —, acrescentou.

Ainda ao rebater a matéria, a ministra disse que o fac-simile divulgado pelo jornal não é o mesmo que a Casa Civil recebeu na noite de quinta-feira. Ela explicou que no documento recebido pela Casa Civil existe uma rasura que não aparece no quadro publicado pelo jornal. E acrescentou que vai checar todas as informações publicadas.

— O interessante é que esse mesmo fac-simile, ao ser publicado, não estava rasurado —, disse.

A ministra voltou a falar que o governo não tem interesse em montar um dossiê sobre as despesas na gestão de Fernando Henrique Cardoso e justificou que parte das informações é de conhecimento público.

— Por que fazer dossiê de informações que não são sigilosas? Fazer dossiê de informações públicas? —, questionou.

E informou que se os dados  fossem de autoridades do governo Lula estariam expostos no Portal da Transparência, criada no atual governo. Segundo a ministra, a maioria das informações do suposto dossiê é de conhecimento público e as sigilosas referem-se às despesas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

A ministra anunciou que avaliará com o ministro da Justiça, Tarso Genro, se cabe à Polícia Federal investigar o vazamento das informações – o que, segundo Dilma, constitui crime.

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