A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez na manhã desta quarta-feira, um balanço do primeiro ano do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, a ex-ministra de Minas e Energia disse que o racionamento energético no país é desnecessário.
– Tomamos todas as medidas para que haja oferta de energia. Quem faz racionamento é quem não tomou as providências para que haja energia suficiente. No Brasil, essas usinas que foram incluídas no PAC foram licitadas. Para uma usina ser licitada hoje, ela tem que ter licença ambiental. Então, são usinas que estão prontas para serem iniciadas. Mas não é disso que se trata quando se discute se haver ou não energia suficiente em 2008 e nos anos seguintes. Trata-se de ver o que acontece. Somos um país hídrico, com 80% de nossa energia sendo de origem hídrica. De origem térmica, são 20%. Quando não chove, o nível dos reservatórios varia. A chuva começou, nós achamos que vai haver um aumento do nível dos reservatórios. Mas não dependemos apenas do nível dos reservatórios.
Ainda segundo a ministra, "o governo tomou providências para assegurar que haja energia térmica, com base no gás, suficiente este ano. Para se ter uma idéia, em fevereiro entra em operação o gasoduto Cabiúnas-Vitória, que vem sendo construído ao longo desses anos. A entrada desse gasoduto produzirá a possibilidade de se despachar, de mandar operar, 1 mil megawatts de energia térmica. Ao mesmo tempo, ao longo do ano, teremos dois terminais de gás natural liquefeito – aquele que pode ser transportado por navios. Então, poderemos importar, a partir de julho, gás natural liquefeito de qualquer país produtor de gás, através de grandes navios. Teremos o gás disponibilizado nos portos e entrando nos gasodutos. Tomamos todas as providências para resolver o problema, ofertando mais energia com base em gás. Quando a hídrica não está disponível, ou há pouca água, se usa a térmica e, com isso, se preserva os reservatórios".
Em relação às estradas brasileiras, fatores de prejuízo na economia e, principalmente, de mortes, a ministra Roussef comentou a pesquisa da PUC-RS. O estudo mostra que são 220 mortes por dia, em média.
- Temos clareza de que a questão das estradas, hoje, tem o aspecto da impunidade. Cometem-se abusos nas estradas e, havendo impunidade, as pessoas são induzidas a repeti-los, o que provoca mortes. Aliás, se compararmos a situação das estradas em termos físicos, elas estão muito melhores hoje. Há duplicações por todo o Brasil. O balanço do PAC mostra isso. Duplicamos a BR-101, a BR-040, e estamos em um processo de acelerar não só as obras públicas, mas também as concessões para investidores privados nas rodovias do país. Então, acho que combinar as duas coisas é a melhor forma de resolver o problema. Combinar cada vez estradas melhores, o que aumenta a segurança no trânsito, mas também perceber que, nessas estradas, mesmo em condições melhores, há acidentes maiores - afirmou.
A questão econômica foi outro ponto abordado pela ministra. O aquecimento da inflação e a proposta de crescimento do país, segundo Dilma Roussef, é uma questão de equilíbrio.
- A dose certa é a seguinte: só gera inflação investir, quando se investe aquém do crescimento do PIB. Hoje, no Brasil, temos uma situação extremamente favorável: um país crescendo sustentavelmente. Cresce o investimento na frente. O que os economistas chamam de “formação bruta de capital fixo no Brasil” está crescendo a uma taxa superior ao PIB. A indústria de bens de capital, que é a que fornece equipamentos, e as empresas, estão investindo em sua própria capacidade. Com isso, haverá sempre um crescimento virtuoso, quando se cresce a capacidade do país produzir na frente da produção de bens e serviços imediata. Isso significa que não teremos pressão inflacionária, porque teremos uma capacidade de fornecer bens além da demanda. Hoje, o país vive uma situação mu