Uma forte cãibra nas pernas e formigamento nas pontas dos dedos das mãos e dos pés. Foram esses os primeiros sintomas da esclerose múltipla, que começou a se manifestar, há sete anos, a dona de casa Maria das Graças Ferreira.
– Fiquei um ano tratando com ortopedista e as cãibras sempre aumentando –, lembra. A dona de casa só tomou o conhecimento de que era portadora da doença depois que a irmã a levou a um neurologista.
– A doutora mandou fazer mapeamento cerebral e foi assim que eu soube –, relata Maria das Graças.
A doença do sistema nervoso é de difícil diagnóstico e esse é o principal motivo que leva ao baixo índice de pessoas que são tratadas adequadamente no Brasil.
De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), dos 30 mil portadores da doença no país, apenas 5 mil fazem o tratamento corretamente.
– É uma doença que não se descobre em pouco tempo. É preciso que vários exames sejam feitos. Depende de cada pessoa e dos sintomas dela. Não tem um dado como que dia, que hora, que momento que a doença aparece. O sintoma surge até no escuro. A gente fala que ele pode aparecer até de noite e você estar dormindo –, diz a presidente da Sociedade de Esclerose Múltipla de Brasília (Semb), Elizabeth Tozetti.
A esclerose múltipla ativa o sistema imunológico da pessoa contra suas próprias estruturas neurológicas. Dentre os sintomas da doença estão: visão borrada ou dupla, fadiga, fraqueza, formigamento, dormência nos braços ou pernas, incontinência fecal ou urinária, dificuldade para falar, relatos de apatia, desatenção, euforia e choro súbito.
O mal não tem cura, mas os medicamentos inibem os surtos de seus sintomas e permitem que o portador tenha uma vida praticamente normal.
– A única coisa que ainda me dá é falta de equilíbrio, de coordenação motora e, às vezes, confundo a voz na hora que vou falar, ela fica enrolada –, conta Maria das Graças, que se submete três vezes por semana à aplicação de remédios.
Ainda não se sabe muito sobre a doença. As causas que levam uma pessoa a desenvolver a esclerose múltipla são quase que desconhecidas. Fatores genéticos ainda foram descartados pela medicina.
– Não se fala nisso ainda. Tem muito estudo para fazer. Mas, hoje em dia, ainda não se diz que é hereditário, de jeito nenhum –, explica a presidente da Semb.
A falta de avanços nos estudos sobre a esclerose é um dos fatos que motivou a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) a instituir, neste ano, 27 de maio como o Dia Mundial da Esclerose Múltipla.