As diferenças sociais entre brancos e negros e as medidas adotadas pelo Governo Federal para combater o racismo foram destacadas na sessão solene em homenagem ao Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, que aconteceu nesta terça-feira.
O deputado federal Gilmar Machado (PT-MG), um dos participantes da sessão, elogiou a iniciativa do Ministério da Educação de criar uma política de cotas para incluir alunos negros nas faculdades e de capacitar professores da rede pública para elevarem a auto-estima das crianças afrodescendentes.
- É importante colocar os negros nas faculdades, mas é fundamental que as escolas de base também valorizem a auto-estima das crianças - declarou.
Machado também criticou os recentes protestos realizados por torcedores europeus contra atletas negros de futebol.
- Não podemos mais compactuar e aceitar isso como normal.
Lideranças negras
O deputado federal Jorge Alberto (PMDB-SE), em seu discurso, citou a atuação de várias lideranças negras que "perderam a vida" na luta contra as desigualdades raciais, como Martin Luther King, Malcolm X e Zumbi dos Palmares. Apesar da "luta" dessas lideranças, o deputado destacou uma série de indicadores que ainda demonstram existir expressivas diferenças sociais vigentes no País, como a taxa de analfabetismo, que é duas vezes maior entre os negros do que entre os brancos no Brasil.
Jorge Alberto citou ainda outros dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que demonstram várias diferenças raciais brasileiras:
- Os negros representam quase 70% dos pobres e menos de 20% dos ricos; os afrodescendentes têm a metade dos rendimentos dos brancos; a esperança de vida de uma pessoa negra nascida em 2000 é 5,3 anos menor do que a de um branco.
Esses dados, prossegue o deputado, devem orientar as políticas públicas nacionais para amenizar a diferença. Já o deputado federal Fernando de Fabinho (PFL-BA) destacou a miscigenação do povo brasileiro e lembrou que essa característica deveria impedir a caracterização racial do pais sob os conceitos americanos. O deputado citou, em seu discurso, a tendência de identificação das pessoas a partir de sua origem racial.
O deputado Luiz Alberto (PT-BA), autor de requerimento da sessão solene afirmou que parlamentares latino-americanos pretendem criar, ainda este ano, o Parlamento dos Afrodescendentes da América Latina e Caribe. A próxima reunião para discutir o assunto será realizada em agosto, na Costa Rica.
- O Parlamento será um fórum permanente de diálogo para que avancemos em direção a uma sociedade mais igualitária em relação aos negros - declarou.
O deputado afirmou ainda que é preciso aprofundar o relacionamento com os países da África, para ajudar o continente a avançar na implantação de programas de desenvolvimento sustentável.