Ainda que o aumento da escolaridade exerça uma influência positiva sobre o rendimento dos trabalhadores, isso não ocorre na mesma proporção entre os diferentes sexos. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira, com a Síntese de Indicadores Sociais embasada em dados da Pnad de 2004, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é maior quando aumenta o nível educacional.
Segundo a pesquisa, em 2004, as mulheres com até quatro anos de estudo recebiam em média por hora o equivalente a 80,8% do rendimento dos homens com o mesmo grau de instrução. Já as mulheres com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento dos homens. De acordo com o IBGE, a região Nordeste tem a maior desigualdade entre os mais instruídos. Lá as mulheres recebem em média 57,7% do rendimento hora dos homens. No Sudeste, as mulheres recebem em média 61,9% do rendimento dos homens.
Nas regiões metropolitanas, afirma o IBGE, Salvador tem a maior desigualdade entre os sexos com nível superior. Lá, as mulheres chegam a ganhar 45,9% do rendimento hora dos homens. Como a jornada média de trabalho das mulheres é tradicionalmente menor que a dos homens, rendimento médio por hora é a medida mais apropriada para a comparação salarial.
A pesquisa mostra ainda que a desigualdade salarial é menor entre a faixa de mulheres mais ricas e o grupo das mais pobres do que entre homens na mesma situação. Em 2004, o rendimento médio dos 10% mais ricos entre os homens ocupados representava 16,5 vezes o rendimento médio dos 40% mais pobres. Já entre as mulheres, o rendimento do grupo das mais ricas equivalia a 14,3 vezes o das mais pobres.