Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

<i> Diários da Motocicleta</i> é aplaudido pela crítica em Cannes

Quarta, 19 de Maio de 2004 às 10:31, por: CdB

O filme de Walter Salles "Diários de Motocicleta" recebeu nesta quarta-feira pela manhã a mais calorosa recepção de um filme na competição oficial do Festival de Cinema de Cannes.

Numa sessão em que a platéia era constituída principalmente de jornalistas, mas onde também estavam presentes vários convidados e outros segmentos de público, o filme mereceu diversas e repetidas séries de aplausos de pé -- especialmente na parte final, quando desfilam as fotos de camponeses da América Latina e do próprio Ernesto Guevara, na apresentação dos créditos.

Um entusiasmo que continuou também na sala do Palais du Festival, onde se realizam as coletivas de imprensa. Walter Salles, os atores Gael García Bernal, Mia Maestro e Rodrigo de la Serna, o roteirista José Rivera e, especialmente, Alberto Granado, foram aplaudidíssimos ao chegarem.

Nada ainda garante, é claro, que essa acolhida se traduza em boas críticas da imprensa, muito menos em premiações. Mas com certeza semeia um bom clima para o filme, cujo potencial como sério concorrente à Palma de Ouro é, a partir de agora, uma hipótese no mínimo sólida.

A apresentação segura de "Diários de Motocicleta", cercada de muitas expectativas por inspirar-se numa figura mítica como Ernesto Guevara, materializou diante de todos sua qualidade, consistência, bem como a maturidade do diretor Walter Salles.

Todos esses trunfos poderosos ajudam, ainda mais num cenário em que crescem as dificuldades no caminho daquele que ainda é considerado o mais forte candidato à Palma de Ouro, "2046", do chinês Wong Kar-wai.

O filme chinês sofreu atrasos constantes em sua produção -- iniciada há três anos -- e não deve ser exibido na quinta-feira, como estava programado. Há rumores de que há poucos dias o ultra-perfeccionista diretor chinês ainda filmava cenas adicionais na Tailândia, atrasando a pós-produção e a legendagem.

O não menos perfeccionista Walter Salles também levou cinco anos para concretizar este projeto, oferecido a ele pelo produtor Robert Redford. Mas o resultado parece ter agradado quase unanimemente.

Salles conseguiu ainda uma façanha extra-cinematográfica -- a de colocar em debate a unidade latino-americana, a artificialidade das fronteiras entre os países que se estendem do México até o estreito de Magalhães.

O assunto aparece especificamente no filme em um discurso do jovem Ernesto Guevara (interpretado por Gael García Bernal), no dia de seu 24o aniversário.

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