Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Diante a violência do Estado, Turquia se manifesta em silêncio

Quarta, 19 de Junho de 2013 às 05:05, por: CdB
turquia31.jpg
Militantes na Turquia, de pé contra o governo de Tayyp Erdogan
Após três semanas de protestos na Turquia, os manifestantes mudaram a forma de agir e decidiram ficar parados, em pé, por horas, olhando o horizonte. Não há gestos nem palavras. O protesto é silencioso, mas se transforma, a cada dia, em um grito nacional contra a violência que o governo Tayyp Erdogan impôs contra os ativistas. Vários manifestantes estão na Praça Taksim, em Istambul, e seguem o exemplo do ator Erdem Gündüz que, na noite passada, por cerca de oito horas, protestou parado e em silêncio na Praça Taksim. O artista olhava em direção ao Centro Cultural Ataturk, construído em homenagem ao herói nacional Ataturk, e do Parque Gezi – alvo dos protestos devido à ameaça de ser transformado em um centro comercial. A atitude do ator virou motivo de campanha na internet, nas redes sociais, em apelo para que mais pessoas passassem a aderir ao movimento parado e silencioso. O vice-primeiro-ministro da Turquia, Bulent Arinc, elogiou hoje a nova forma de protestar por considerá-la pacífica e sem violência. Arinc opinou sobre as manifestações momentos antes de entrar para uma reunião. Ele ressaltou ainda que os movimentos são fortalecidos pelas campanhas por meio da internet e nas redes sociais. – A mídia social é um sistema generalizado no mundo de hoje. Nós não podemos deixar de observar isso. Mas a comunicação e desinformação visando o apelo à violência e à escalada dos incidentes devem ser respondidas por sanções, o Ministério da Justiça deve analisar a questão para fazer as alterações necessárias na legislação – disse o ministro. Em teste Outros manifestantes se juntaram a Gunduz, nas últimas horas. O protesto foi replicado em outras cidades representando uma onda de imitação social, impulsionada pela mídia. Em Ancara, uma mulher parou em um local onde manifestantes foram mortos. Na manhã de terça-feira, a polícia interveio e dispersou a multidão ao redor de Gunduz, prendendo vários manifestantes. Não ficou claro se Gunduz estava entre os presos. O ministro do Interior, Muammer Guler, disse que as autoridades não iriam intervir contra qualquer demonstração que não ameaçasse a ordem pública, mas essa promessa pode ser testada rapidamente. Ativistas convocaram uma manifestação nacional em pé para as próximas horas. – Temos que parabenizá-lo (Gunduz). Ele começou um grande movimento – disse Ozgur Volkan, um manifestante que se juntou aos demais que estavam parados e em pé em Taksim. Cinco mortos Na  última semana, cinco pessoas morreram, entre as quais um policial, e mais de cinco mil ficaram feridas nos confrontos entre as autoridades e os manifestantes, segundo um grupo de Direitos Humanos turco. Segundo a imprensa local, as autoridades detiveram  dezenas de integrantes de grupos de esquerda e da oposição , em diversos pontos de Istambul e Ancara. Na segunda-feira, dia em que diversos sindicatos promoveram uma greve geral e protestos contra a repressão do governo, o vice-primeiro ministro Bulent Arinc anunciara que, se necessário, o Governo iria recorrer a uma ação militar para "conter os protestos".
Tags:
Edições digital e impressa