A pianista canadense Diana Krall, 39, é a mais bonita e elegante cantora do jazz suave (smooth jazz, como dizem os americanos). A mesma geração de Jane Monheit, Christine Pitt e Eliane Elias, paulista radicada nos EUA. E era também a de maior sucesso da turma até o surgimento de Norah Jones, em 2000.
Ao contrário da filha de Ravi Shankar, porém, Diana não compunha e construiu a carreira interpretando standards. Possivelmente influenciada pelo sucesso fenomenal de Norah e pelo casamento com o cantor inglês Elvis Costello, ela agora estréia como compositora em The Girl in The Other Room (Verve/Universal).
Em parceria com o marido, Diana assina seis das 12 faixas do álbum e ainda canta dele Almost Blues, que Chet Baker (1929/1988) transformou em semiclássico jazzy ao interpretá-lo na década de 80. Músicas pop refinadas como Departure Boy e Narrow Daylight parecem saídas de um CD do múltiplo Elvis Costello.
A cantora, sempre sutilmente sensual, reinventa clássicos pop de Tom Waits (Temptation), Joni Mitchell (Black Crow) e Chris Smither (Love me Like a Man). A faixa mais tradicional do CD é a quase desconhecida I'm Pulling Through, de Arthur Herzog e Irene Kitchings. Herzog foi parceiro de Billie Holiday em Don't Explain.
Produzido pelo experiente Tommy LiPuma (colaborador da artista desde 94) e Krall, The girl in the other room mescla swinging, jazz, pop e rhythm''n''blues com encanto. É um bom disco que amplia as possibilidades criativas da bela Diana Krall e que deve desagradar, só para variar, os puristas do jazz.