A presença de diamantes na Serra do Sol, em Rondônia, terra dos índios cintas-largas - autores do massacre de 29 garimpeiros no início deste mês - é o estopim para outros conflitos num futuro próximo, dizem os técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) presentes na região.
Até agora, agentes da Polícia Federal identificaram 12 cintas-largas que participaram do assassinato de garimpeiros na reserva Roosevelt. Eles deverão receber voz de prisão na próxima quarta-feira. Entre os suspeitos estão os caciques Pio e Daniel.
Ambos responsabilizaram-se, em entrevistas concedidas à imprensa local, pelas mortes dos garimpeiros, após isentarar os funcionários da Funai de participação no crime.
- Eles disseram estar cansados de expulsar os garimpeiros da reserva e vê-los sempre voltar em busca de diamantes - disse um funcionário da Funai, que prefere não se identificar.
Os diamantes, segundo a Funai, poderão provocar uma corrida de garimpeiros ao Estado, o que deixa a região ainda mais vulnerável aos confrontos com indígenas. A áreas, segundo o Ministério da Justiça, deverá ser homologada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de o governo de Roraima ser contra a medida.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, Rondônia e Roraima têm veios de diamante em reservas indígenas. O registro de ocorrência de diamantes, porém, não significa a presença de uma jazida relevante. É apenas o indicativo de que já foram encontrados diamantes na região.