O governo da Colômbia e os grupos paramilitares de direita retomaram as conversações abertas em 1 de julho, depois de um recesso no qual foi denunciada a presença de narcotraficantes nesses comandos.
Os diálogos estão sendo travados na "zona de localização" de Santa Fe de Ralito (Córdoba, noroeste da Colômbia), onde concentram-se 400 paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), entre eles vinte de seus líderes.
Na reunião, primeira desde a inauguração formal da mesa de diálogo na semana passada, participam o alto comissionado presidencial para a Paz, Luis Carlos Restrepo, e o chefe máximo das AUC, Salvatore Mancuso.
O diplomata argentino Sergio Caramagna, delegado da missão verificadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), também participa das conversas.
No fim de semana passado, durante o recesso, meios comunicação e bispos colombianos denunciaram que na mesa de negociação estão infiltrados vários chefes paramilitares ligados ao narcotráfico e com pedidos de extradição pelos EUA.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, afirmou ontem, quarta-feira, que o governo evitará a impunidade no processo de paz e explicou que a presença de acusados nas negociações se deve à "mistura maldita" do narcotráfico no conflito colombiano.
A "zona de localização" tem 368 quilômetros quadrados e servirá como uma espécie de laboratório de paz para as negociações com as AUC, que prevêem sua dissolução completa antes de 2006.
Este grupo foi criado há 22 anos para combater as guerrilhas esquerdistas e é acusado de graves crimes e violações dos direitos humanos.
O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado colombiano, Carlos Moreno de Caro, que participa das negociações, disse que a agenda das conversações será definida nas reuniões.
Acrescentou que a possível criação de três novas zonas de localização também será analisada.