O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, da cerimônia em comemoração ao Dia Mundial da Água, no Cine Brasília. A iniciativa chega em um momento especial neste setor para o Brasil, pois a água é escassa em alguns locais, abundante em outros, e mal tratada pela poluição gerada pela sociedade brasileira.
A Campanha da Fraternidade deste ano lembra que a água é fonte da vida, mas sua força pode também destruir. Neste verão, cerca 211 pessoas morreram em conseqüência das chuvas que castigaram 1.213 municípios de 19 Estados, além do Distrito Federal, segundo dados do Ministério da Integração Nacional. Mas nos Estados do Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, foi decretado o estado de emergência em dezenas de municípios por causa da seca. Em São Paulo, moradores convivem com o risco de um racionamento.
- Se bem conduzido, [a água] é um recurso renovável. Ele não cresce, mas é renovável. A situação é relativamente complexa porque neste ano, além dos problemas já comuns, como a poluição, falta d'água em alguns locais --seja por desperdício ou pelo excesso de concentração de pessoas em áreas com pouca água--, tivemos o efeito de eventos críticos: mais chuvas que a média em algumas regiões, incluindo o Nordeste - afirmou o diretor de Tecnologia e Informação da Agência Nacional de Águas (ANA), Marcos Freitas.
Segundo Freitas, a emissão de alertas meteorológicos fez parte das discussões no Dia Mundial da Água. "Os alertas significam dizer que a água está chegando. Estimular a integração da meteorologia com a hidrologia para salvar vidas faz parte da discussão", disse.
Um dos motivos de comemoração da data, de acordo com o técnico, é o fato de a legislação ter "evoluído com rapidez" para uma organização do sistema para gestão de água, ou seja, o que era gerido por rio, agora é gerido por bacia hidrográfica. "O que melhora muito do ponto de vista do controle ambiental porque não adiantava controlar um ponto do rio se um camarada poluísse para trás ou tirasse toda a água. Ver a bacia como um todo é mais fácil de estabelecer o cronograma de gestão", afirmou.
Perigo no Sudeste
O não-tratamento de esgoto é o pior poluidor das águas, afirma o diretor da ANA.
- O grande problema é que ainda não se tem um marco regulatório do setor de saneamento - afirmou. De acordo com ele, o governo federal deve tratar sobre o assunto neste ano.
Freitas afirma que em São Paulo um grupo já atua, ao lado do governo estadual, para resolver o problema de um "triângulo complicadíssimo entre o Piracicaba, o Tietê e o Paraíba do Sul".
- O Piracicaba dá 35 m³ para São Paulo, para o abastecimento do Cantareira e já está esgoelado. Precisa haver uma situação mais equilibrada. O Tietê, por sua vez, precisa de situações que melhorem o tratamento de esgoto - disse.
Já no Rio, a preocupação recai sobre o Guandu, onde, de acordo com Freitas, é necessária uma quantidade maior de água para "diluir" a poluição.
- Dois terços da água do Paraíba do Sul são transpostos para abastecer o Guandu e nos últimos anos já há problemas de falta d'água no Paraíba do Sul. Precisamos reduzir essa transposição para algo que seja 10%, 15% ou 20% menos, e isso pode ser feito sem comprometer o abastecimento, desde que a água que chegue no Guandu esteja menos poluída - afirmou.