Rio de Janeiro, 24 de Setembro de 2026

Dia de mobilização expõe racha entre CUT e demais centrais

Quarta, 06 de Julho de 2011 às 03:36, por: CdB

Dia de mobilização expõe racha entre CUT e demais centraisCinco centrais sindicais aproveitam dia de mobilização da CUT e realizam em Brasília ato para pressionar Congresso a reduzir jornada de trabalho, acabar com fator previdenciário em aposentadorias e regulamentar terceirização. Presidente da CUT, que estará no Pará, critica rivais, diz que eles 'pegam carona' em atos da entidada e que pretende reafirmar identidade individual. 'Temos diferenças de concepções e métodos', afirma Artur Henrique.

André Barrocal

BRASÍLIA – Cinco centrais sindicais vão aproveitar o Dia Nacional de Mobilização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), nesta quarta-feira (06/07), para promover em Brasília um ato em defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais, fim do fator previdenciário nas aposentadorias, regulamentação da terceirização e reforma agrária.

O ato juntará Força Sindical, CGTB, NCST, CTB e UGT e deve terminar no Congresso Nacional. O grupo pretende fazer outras quatro manifestações durante o mês de julho, uma em cada região diferente do país, para pressionar os parlamentares a votarem a redução da jornada de trabalho assim que voltarem do recesso.

“Em agosto, nós vamos para o enfrentamento, faremos pressão total no Congresso. Queremos votar nem que seja para perder”, diz o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho.

O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, não estará em Brasília, junto com as outras centrais, mas no Pará. Segundo ele, a opção tem um caráter simbólico - defender um outro projeto de desenvolvimento para o Brasil fugindo do eixo Rio-São Paulo-Brasília. Mas, indiretamente, admite ele, também ajuda a marcar as diferenças entre os sindicalistas, um desejo cada vez maior da CUT. "Temos diferenças de concepções e métodos", afirma.

O dirigente anda incomodado com o que considera uma certa diluição da identidade individual das centrais. Contribuiria para isso a tentativa das concorrentes de “pegar carona” em atos da CUT. A mobilização desta quarta-feira seria um exemplo. Em maio, a cúpula cutista decidiu organizá-la, e depois as outras centrais quiseram aderir. “Este dia 6 é mais da CUT do que nosso, mesmo”, reconhece Paulinho.

Segundo Artur Henrique, a CUT tem uma postura e uma agenda que não coincidem com as das outras entidades. Hoje, os cutistas preferem, por exemplo, deixar um pouco de lado a atuação perante as institucionalidades (governo, Congresso) para ir mais às ruas mobilizar pessoas comuns.

Quando se trata de “agenda”, o único grande tema que atualmente aglutina todas as seis centrais sindicais é a redução da jornada de trabalho. Num outro assunto importante para o setor, a existência do imposto sindical, a CUT defende sozinha sua abolição.

O mesmo vale para a regulamentação da terceirização. Enquanto as outras cinco aceitaria uma lei que daria só alguns dos benefícios tidos apelas por empregados efetivos, a CUT quer igular tudo.

Neste tema, a Central inclusive faz uma acusação ao governo Dilma Rousseff, que em tese apóia. A proposta de regulmentação dos terceirizados estaria sendo discutida dentro de um ministério do Trabalho que estaria “aparelhado” pela Força Sindical. O ministro Carlos Lupi pertence ao PDT, mesmo partido do presidente da Força Sindical.


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