Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Dia 28 de setembro: data reforça luta pela descriminalização do aborto na região

Terça, 27 de Setembro de 2011 às 11:47, por: CdB

Educação sexualpara decidir, anticoncepcionais para não abortar, aborto legal para não morrer. É com esse lemaque organizações feministas latino-americanas e caribenhas celebrarão, amanhã(28), o Dia pela Descriminalização doAborto na América Latina e no Caribe. Somente na região, cerca de seis milmulheres morrem todos os anos em decorrência da prática do aborto inseguro.

Aproibição do aborto na maioria dos países da região não impede que as mulheresrecorram à prática para interromper uma gravidez indesejada. De acordo cominformações da Rede Feminista de Saúde, mais de quatro milhões de mulhereslatino-americanas e caribenhas abortam a cada ano.

Acriminalização, porém, leva muitas mulheres a procurar clínicas clandestinaspara realizar o procedimento. Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS)indicam que o aborto inseguro é uma das principais causas de morte materna nomundo.

Paraas organizações feministas, o aborto é um problema de saúde pública. E éjustamente esse um dos aspectos abordados pela Campanha 28 de setembro pela Descriminalização do Aborto na AméricaLatina e no Caribe. Além do problema de saúde pública, a Campanha aindaconsidera o aborto como uma questão de direitos humanos e de democracia, em quea mulher tem o direito de decidir sobre a gravidez.

Aomesmo tempo, as organizações ligadas à Campanha também defendem o Estado laicoe apontam a descriminalização do aborto como uma questão de justiça social, jáque quem mais sofre com o aborto inseguro é a mulher pobre.

Algunspaíses da região continuam a proibir todos os tipos de aborto, inclusive oterapêutico, praticado quando a grávida corre risco de perder a vida. É o casode Nicarágua, El Salvador, Chile e República Dominicana.

Emoutros, aos poucos, a legislação avança. Desde 2007, mulheres do DistritoFederal do México podem recorrer ao aborto durante as 12 primeiras semanas degestação. De acordo com reportagem publicada ontem (26) no Jornal CiudadaníaExpress, já foram realizados mais de 65 mil abortos, de 2007 até agora, nosserviços públicos e privados da capital mexicana sem que nenhuma mulher tenhamorrido.

Atividades

Paracelebrar a data e reforçar a demanda pela descriminalização do aborto naAmérica Latina e no Caribe, organizações feministas realizarão, amanhã (28),diversas manifestações e debates.

NoBrasil, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal deBelo Horizonte (SindRede-BH), na capital de Minas Gerais, será palco da roda deconversa Por que falar sobre aborto?Na ocasião, haverá exibição do filme Oaborto dos Outros e debate com integrantes de movimentos feministas.

NoChile, organizações em defesa dos direitos das mulheres promoverão, emSantiago, uma marcha às 18h pelo Paseo Ahumada (da Alameda até a Praça dasArmas). Já na Argentina, as ações começarão a partir das 12h na Praça doCongresso. Em uma barraca armada no local, interessados/as poderão participar,até as 19h, de oficinas sobre educação sexual, assessorias legais eaconselhamentos. Também haverá mostras fotográficas e intervenções artísticas.

Às18h, as organizações argentinas realizarão um protesto pelo debate e aprovaçãodo projeto de lei de Interrupção Voluntária da Gravidez, que foi apresentadopela Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito e contacom a assinatura de mais de 50 deputados/as e apoio de mais de 300 organizaçõessociais do país.

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