A meta é imunizar 80% das 609 mil pessoas que fazem parte dos grupos considerados prioritários. Os dados da secretaria mostram que profissionais de saúde e puérperas foram os que mais se vacinaram
Por Redação, com ABr - de Brasília:
Todos os centros e postos de saúde do Distrito Federal já estão reabastecidos com doses da vacina contra a gripe e devem retomar a imunização a partir desta segunda-feira, segundo informações da Secretaria de Saúde. A alta procura pelo imunobiológico fez com que os estoques de algumas salas de vacinação se esgotassem.
Em nota, a secretaria informou que na última quinta-feira recebeu do Ministério da Saúde uma nova remessa, com 143.400 doses, o que permitirá a normalização da vacinação a partir desta semana. Até a próxima sexta-feira, está prevista a entrega de mais um lote, que vai reforçar o estoque da segunda dose da vacina para crianças de 6 meses a 2 anos incompletos.
Até o momento, 435.333 pessoas já foram imunizadas em unidades públicas do Distrito Federal contra a gripe, 71,5% do público-alvo, formado por crianças entre 6 meses e menores de 5 anos, gestantes, mulheres com até 45 dias após o parto (puérperas), profissionais de saúde, idosos, pessoas com doenças crônicas, povos indígenas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.
A meta é imunizar 80% das 609 mil pessoas que fazem parte dos grupos considerados prioritários. Os dados da secretaria mostram que profissionais de saúde e puérperas foram os que mais se vacinaram (100% e 82,4%, respectivamente), seguidos por pacientes com algum tipo de comorbidade (77,4%). Já os idosos são os que menos buscaram a imunização até o momento (65,9%). A campanha vai até o dia 20 de maio em todo o país. A vacina aplicada é a trivalente, que protege contra Influenza A H1N1, Influenza A H3N2 e Influenza B (subtipo Brisbane).
Vacina de zika
Pesquisadores ainda devem demorar pelo menos cinco anos até disponibilizar uma vacina contra o zika, vírus já disseminado em todos os estados brasileiros e em cerca de 40 países e territórios. A previsão é o vice-diretor do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, José Cerbino Neto. “Isso envolve o desenvolvimento de adjuvantes, de estratégias vacinais, de modelos experimentais para persistência e resistência da infecção. Além disso, o produto tem que estar em condição de testagem humana, e isso leva tempo, e também leva tempo os estudos de fase um, dois e três”, disse Cerbino Neto, em audiência pública na Câmara dos Deputados na última quinta-feira.
Para o desenvolvimento de um imunizante, são necessárias várias etapas, que vão desde a decisão de que tipo de tecnologia será usada até a comparação entre grupos que foram imunizados e que não foram. A primeira vacina contra a dengue, por exemplo, desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, levou 20 anos para ser concluída. Mas os especialistas ressaltam que, enquanto a dengue tem quatro subtipos, o zika só tem um, o que facilitaria. “Temos um horizonte de pelo menos cinco anos, antes disso, acho que a gente não tem como ter uma resposta mais concreta sobre a eficácia dessa vacina”.
Na audiência, Cerbino Neto ressaltou que o vírus zika se espalhou mais rapidamente do que a dengue e a chikungunya, vírus transmitidos pelo mesmo vetor, o Aedes aegypti. “A gente tem relatos da identificação do vírus em outros fluidos corporais, mas não temos como afirmar que há transmissão por essas outras vias nem qual o risco dessas transmissões”, relatou o especialista.
Também em audiência na Câmara dos Deputados nesta semana, a pesquisadora Adriana Melo, presidente do Instituto de Pesquisa Prof. Joaquim Amorim Neto (Ipesq), sediado em Campina Grande, Paraíba, disse que o vírus pode ser encontrado na saliva, mas não se sabe se é possível passar a doença para outra pessoa por esse meio. “Estamos coletando saliva no instituto para enviarmos para a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para que seja analisada a possibilidade de esse fluido transmitir a doença”, disse a pesquisadora. A transmissão sexual já foi relatada em artigos científicos, mas ainda é objeto de estudos dos pesquisadores.
Outro alvo de pesquisa, segundo Cerbino Neto, é a proporção de infecções assintomáticas pelo vírus. Apesar de o Ministério da Saúde, desde o começo da epidemia, dizer que 80% das infecções são assintomáticas, o vice-diretor disse que ainda não se pode fazer esta afirmação com convicção. ”A gente não tem uma sorologia confiável, que permita fazer o critério sorológico e saber quantas pessoas se infectaram sem que tenham desenvolvido os sintomas”. A sorologia é um exame que permite saber se uma pessoa foi infectada por um vírus, mesmo depois de os sintomas desaparecerem.
Zika
Transmitido por um mosquito já bem conhecido dos brasileiros, o Aedes aegypti, o vírus zika começou a circular no Brasil em 2014, mas teve os primeiros registros feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre do ano passado, era que sua evolução costuma ser benigna e que os sintomas, geralmente erupção cutânea, fadiga, dores nas articulações e conjuntivite, além de febre baixa, eram mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, também transmitidas pelo mesmo mosquito.
Porém, em outubro de 2015, exame feito pela médica especialista em medicina fetal, Adriana Melo, descobriu a presença do vírus no líquido amniótico de um bebê com microcefalia. Em 28 de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que, quando gestantes são infectadas pelo vírus, podem gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos. Pesquisadores confirmaram que a Síndrome de Guillain-Barré também pode ser ocasionada pelo zika.
De acordo com o primeiro boletim da doença divulgado pelo Ministério da Saúde, em fevereiro e março deste ano foram notificados 91.387 casos prováveis de infecção por zika no país. A chegada do vírus ao Brasil elevou o número de nascimentos de crianças com microcefalia de 147, em 2014, para pelo menos 1.271 casos de outubro do ano passado a 30 de abril deste ano.