A polícia prendeu dezenas de pessoas nesta quinta-feira, em operações simultâneas coordenadas em cinco países da Europa contra um grupo armado ilegal ativo há três décadas na Turquia.
Segundo uma fonte do ministério do Interior turco, as pessoas detidas na Bélgica, na Alemanha, na Itália, na Holanda e na Turquia integravam o Partido da Frente de Libertação do Povo Revolucionário (DHKP-C), fichado pela União Européia como organização terrorista desde maio de 2002. O funcionário do ministério informou que 37 pessoas foram presas em Istambul, e outras 16 em diversos países da Europa, durante operações simultâneas conduzidas após um "longo processo de preparação".
A Europa estava em alerta desde os atentados de 11 de março, em Madri, que deixaram 191 mortos e 1.900 feridos. O ataque, atribuído à rede Al-Qaeda, foi o mais sangrento já cometido na Espanha e o pior no continente europeu desde o atentado de Lockerbie (Escócia), em 1988.
O ministro turco do Interior revelou que Fehriye Erdal, uma militante do DHKP-C procurada pelo assassinato, em 1996, de Ozdemir Sabanci, membro de uma das maiores dinastias empresariais turcas, estava entre as pessoas detidas na Bélgica. Ancara pressionou o governo belga a extraditar Erdal, até agora sem sucesso.
De acordo com as autoridades turcas, cerca de 100 policiais e soldados e pelo menos 80 civis foram assassinados por este grupo ilegal de extrema-esquerda, ativo principalmente na região de Istambul.
Entre outros crimes, o grupo é acusado de matar um ex-ministro da justiça em 1994, ano em que mudou seu nome para Dev-Sol, e dois generais da reserva. O líder do grupo, Dursun Karatas, está foragido desde que escapou de uma prisão de Istambul, em 1989.
As autoridades italianas afirmaram ter desmantelado em Perugia, depois de uma operação conduzida por dezenas de policiais auxiliados por helicópteros, uma célula-chave do grupo.
Entre os presos está Er Avni, um especialista altamente qualificado em informática que lidera, segundo a polícia, uma das principais células do movimento, e Moreno Pasquinelli, porta-voz de um grupo conhecido como Campo dos Antiimperialistas, aliado do DHKP-C.
Segundo os investigadores italianos, a célula de Perugia reivindicou quatro ataques cometidos na Turquia em 1993, assim como um atentado suicida em maio de 2003, que matou apenas seu autor.
Na Bélgica, oito pessoas foram detidas na manhã desta quinta-feira em duas casas de Bruxelas, em função de uma solicitação das autoridades italianas. Sete pessoas foram libertadas em seguida, e uma continua presa.
As autoridades holandesas informaram que revistaram cinco propriedades supostamente habitadas por membros do grupo, onde apreenderam computadores, CD-Roms, vídeos, celulares, cartões pré-pagos e documentos.
Em outra operação, a polícia grega prendeu Sinan Buzuk, um suposto membro do DHKP-C, na madrugada desta quinta-feira durante um controle de identidade. Buzuk, 30 anos, um alemão de origem turca, é procurado na Alemanha por um assassinato e vários ataques, segundo a polícia grega.
Ancara acusou durante muito tempo as autoridades européias de tolerar a presença dos militantes do grupo de extrema-esquerda nos seus territórios. Recentemente, o DHKP-C assumiu a autoria de um ataque com bomba no edifício do ministério da Justiça em agosto de 2003, no qual 17 policiais ficaram feridos.
O grupo ilegal também promoveu uma longa greve da fome em prisões turcas, que causou a morte de dezenas de pessoas e provocou confrontos mortíferos entre presos e forças de segurança.