Dezenas de milhares de manifestantes ocupam nesta segunda-feira as ruas da capital da Bolívia, La Paz, em um protesto contra o governo e a favor da nacionalização da indústria de energia.
A manifestação, convocadas por grupos de esquerda como o Movimento ao Socialismo (MAS), pode ser a maior desde o início desta crise, há cerca de três semanas.
A multidão lotou a Praça de San Francisco, no centro da capital, onde fica o Palácio do Governo e o Congresso.As lojas fecharam e, segundo um correspondente da BBC na cidade, o clima começa a ficar violento - um vendedor ambulante foi agredido por abrir sua barraca e homens de negócios foram ameaçados.
Combustíveis
Uma greve paralisou o sistema de transportes na cidade - que estava já praticamente sem funcionar há vários dias devido à falta de combustível na cidade, provocada por bloqueios nas estradas.
A Igreja Católica tem atuado como mediadora na crise, discutindo com o presidente Carlos Mesa e os líderes do Legislativo e do Judiciário possíveis soluções para o impasse.
Mas os manifestantes de recusaram a atender um pedido da Igreja para que voltassem às suas casas e suspendessem os protestos.
O principal líder da oposição, Evo Morales, pediu nesta segunda-feira a renúncia de Mesa - que assumiu após uma crise ter derrubado seu antecessor em 2003 - e dos presidentes do Senado e da Câmara.
Constituinte
Morales defende que o presidente da Suprema Corte assuma temporariamente o comando do país e convoque eleições gerais antecipadas.Os manifestantes prometem continuar nas ruas até a nacionalização do setor energético - o gás natural é dos principais recursos naturais bolivianos - e a eleição de uma assembléia para reformular a Constituição.
Na semana passada, o presidente Mesa apresentou planos para convocar uma nova Constituinte.Além das questões relativas à exploração do gás natural, o governo ainda tem de lidar com pressões das Províncias mais ricas do país por uma maior autonomia com relação ao poder central.
Dezenas de milhares protestam nas ruas de La Paz
Segunda, 06 de Junho de 2005 às 14:27, por: CdB