Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Dez milhões de crianças são escravas, diz Organização Internacional do Trabalho

Cerca de 10 milhões de crianças são foraçadas a trabalhar em regime escravo como empregadas domésticas em todo o mundo. A estimativa está em um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje. A organização calcula ainda que cerca de 246 milhões de crianças têm ocupações que tomam todo o tempo - ou quase todo - que elas deveriam passar na escola. Destas, aproximadamente a metade está envolvida no que a agência qualifica como "pior forma de trabalho infantil": prostituição, mineração e trabalho escravo em diversas indústrias. (Leia Mais)

Sexta, 11 de Junho de 2004 às 05:14, por: CdB

Cerca de 10 milhões de crianças são foraçadas a trabalhar em regime escravo como empregadas domésticas em todo o mundo. A estimativa está em um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje. A organização calcula ainda que cerca de 246 milhões de crianças têm ocupações que tomam todo o tempo - ou quase todo - que elas deveriam passar na escola. Destas, aproximadamente a metade está envolvida no que a agência qualifica como "pior forma de trabalho infantil": prostituição, mineração e trabalho escravo em diversas indústrias.

O Brasil está entre os país com altos números de crianças trabalhando como empregados domesticos, cerca de 559 mil. A África do Sul encabeça a lista com dois milhões de crianças sendo exploradas, seguida pela Indonésia (700 mil) e Paquistão (264 mil).

O relatório cita partes da África, América Central e Ásia como regiões onde milhares de meninas a partir dos 8 anos de idade trabalham 15 ou mais horas por dia, sete dias por semana, por um pagamento irrisório - quando recebem algum pagamento.

Essas crianças, a maior parte meninas, trabalham em casas nas quais ter serviçais é um sinal de status social. Segundo o relatório, muitas são vítimas de abuso sexual e algumas esquecem os próprios nomes depois de anos sendo tratados como "menino" ou menina".

Para June Kane, a autora do estudo de 112 páginas da OIT, o mais grave é que a exploração do trabalho infantil para serviços domésticos é aceita ou tolerada em muitos lugares no mundo - e não estamos falando de crianças que ajudam seus pais em casa. "Infelizmente, muitos países não vêem o trabalho infantil doméstico como um problema", diz ela de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Em algumas das casas, essas crianças têm que levantar-se e acender o fogo antes que a família do patrão acorde. Elas cozinham, limpam e até levam outras crianças para a escola, acrescentou a pesquisadora. Quando são consideradas velhas, em torno dos 16 anos, muitas delas são expulsas pelos patrões e acabam indo viver nas ruas por não terem a menor idéia de como ou onde encontrar suas famílias.

Colocar as crianças para trabalhar às vezes é considerado uma alternativa para fammílias muito pobres que não têm como alimentá-las, descobriu o estudo. Os pais dificilmente recebem dinheiro pelo trabalho das crianças.

O serviço doméstico é visto, para as meninas, como uma preparação para o casamento e, às vezes, um "benefício" para elas, aponta o relatório da OIT. O número crescente de órfãos da Aids e o status tradicionalmente baixo das mulheres e meninas em muitos países também empurram as crianças para o trabalho doméstico.

A organização internacional Humans Right Watch afirmou ter encontrado problemas similares. "Trabalhores domésticos infantis em todo o mundo suportam abuso e exploração", diz Jo Becker, que encabeça uma campanha do grupo norte-americano pelos jovens.

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