Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

Devendra Banhart nega rótulo freak folk

Quarta, 20 de Setembro de 2006 às 06:35, por: CdB

Passar alguns momentos com Devendra Banhart é como ser levado a um mundo em que o tempo é realmente relativo --o universo riponga paz e amor dos anos 1960.

Isso é notado tanto na entrevista a jornalistas brasileiros, em seu camarim, como logo depois, no show do festival Electric Picnic, no interior da Irlanda --show que traz ao Brasil em outubro, quanto toca no Rio, em 27/10, e em Vitória, em 29/10, dentro do Tim Festival.

Aos 25 anos, fluente em espanhol, aprendido durante a infância passada em Caracas (seu pai é norte-americano, e a mãe, venezuelana), Devendra se aproxima com um "hola". Ele veste uma camiseta branca com desenhos em preto, vários colares, óculos de lente laranja, calça jeans rasgada e chinelos que deixam à mostra uma meia preta e outra azul nos pés.

Tem várias tatuagens pelo corpo, cada uma com um significado próprio. A pedido, ele vai exibindo os desenhos: duas estrelas na mão esquerda, outras duas, maiores, no peito, um círculo de pontos vermelhos na mão, quatro riscas vermelhas no antebraço...

- Essa daqui não me lembro por que fiz. Estava meio bêbado - diz, sobre um inseto tatuado no braço.

Com vários discos nas costas, como "Niño Rojo" e o mais recente, "Cripple Crow" (2005), bastante elogiado, Devendra é tido como o embaixador do que foi chamado de freak folk, ao lado de gente como Mica Hinson, Joanna Newson, Vetiver etc. Ele se apressa em descartar o nome --e aparece com outro.

"Esse rótulo é embaraçoso. Não soa bem. E não foi feito nem sugerido por nenhum de nós. Foi fabricado pela imprensa.

E explica:

- Não queremos ser vistos como exclusivistas, ser anti alguma coisa. No final, tudo é derivado da natureza. Este copo de plástico [no qual bebe vinho branco] é derivado da natureza. Também pensei em chamar de saturnália, como um oposto de tropicália..."

O termo freak folk serviria para descrever música que traz influência tanto do country e do folk como do rock psicodélico e do tropicalismo - artistas deste último, como Mutantes e Gil, são citados por Devendra como ídolos. Caetano Veloso, para ele, é seu "number one".

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