Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Devastação de província deixa Annan em choque

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, visitou nesta sexta-feira a Província indonésia de Aceh, devastada pelo tsunami de dezembro. "Devo admitir que nunca vi tal destruição absoluta. Você se pergunta onde estão as pessoas - disse Annan ao voltar a Banda Aceh, a capital regional". (Leia Mais)

Sexta, 07 de Janeiro de 2005 às 06:57, por: CdB

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, visitou nesta sexta-feira a Província indonésia de Aceh, devastada pelo tsunami de dezembro.

- Devo admitir que nunca vi tal destruição absoluta. Você se pergunta onde estão as pessoas - disse Annan ao voltar a Banda Aceh, a capital regional.

Ele chegou de helicóptero à cidade de Meulaboh, na costa oeste da ilha de Sumatra, a apenas 150 quilômetros do epicentro do terremoto submarino que provocou as gigantescas ondas que mataram 153 mil pessoas na Ásia. A ONU estima que um terço dos 120 mil habitantes de Meulaboh tenham morrido na tragédia.

- Estou profundamente abalado com a miséria que vi com meus próprios olhos - disse, emocionado, Tadao Chino, presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, que acompanhou Annan junto com dirigentes do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Passados 12 dias da tragédia, a ajuda aos moradores de Meulaboh chega lentamente, a bordo de helicópteros militares norte-americanos. Segundo Annan, a população já começa a reconstruir suas vidas.

- Vimos gente começando a recolher os pedaços de suas vidas, e isso nos diz algo sobre a capacidade de recuperação do espírito humano. Eles vão precisar de ajuda para estresse pós-traumático. Vão precisar de ajuda para reconstruir suas casas e para construir barcos com os quais possam voltar a pescar - observou Annan.

Annan pediu aos líderes mundiais que cumpram as promessas de destinar quase cinco bilhões de dólares para as vítimas da tragédia. Ele lembrou que, em ocasiões anteriores, vários países não entregaram o dinheiro que anunciaram, como em 2003, quando um terremoto devastou a cidade iraniana de Bam.

A região litorânea ao sul de Meulaboh continua isolada, o que preocupa as autoridades. Fotos de satélite da região mostraram que "a área que costumava ser terra agora é mar", segundo Michael Elmquist, responsável pelas operações humanitárias da ONU em Banda Aceh.

Há pelo menos 20 mil pessoas na região de Meulaboh precisando desesperadamente de ajuda. Devido ao isolamento de parte da província, a ONU teme que o número de mortos, feridos e desabrigados ainda suba.

- A única forma de descrever algumas das aldeias é como extintas - disse o piloto norte-americano Scott Cohick após um sobrevôo.

- É de partir o coração, porque a maior parte (dos desabrigados) é de criancinhas. Detesto dizer isso, mas muitos pais estão desaparecidos ou soterrados -  afirmou ele.

A Indonésia confirmou mais de 7.000 novas mortes nesta sexta-feira, o que eleva o saldo no país para 101.318, a maior parte em Aceh.

Enquanto Annan visitava a região atingida, milhares de pessoas se reuniam nas deterioradas mesquitas de Banda Aceh para rezar para que Alá lhes perdoe e garanta sua sobrevivência.
Para muitos muçulmanos desta província do norte da Indonésia, as gigantescas paredes de água que atingiram a região são uma forma de punição divina.

- Este é um teste de Alá para que as pessoas saibam que estão cometendo um erro. Um punhado de pessoas fez más ações e todos nós sofremos -  disse Muhammad Saman, dono de um restaurante.

Há uma semana, a Grande Mesquita Baiturrahman, em Banda Aceh, havia sido transformada em necrotério e estava cheia de mortos. Posteriormente, se tornou refúgio de pessoas doentes, feridas e amedrontadas.

Agora, o templo é um raio de esperança em meio à terra arrasada, revestido com uma nova demão de tinta branca, cortesia de soldados indonésios que o prepararam para as preces de sexta-feira.

- Estamos tentando recrutar os líderes religiosos para curar o trauma psicológico", disse o ministro indonésio do Bem-Estar, Alwi Shihab, à Reuters.

- O trauma mental e físico é enorme - disse. 

Os hospitais ainda estão cheios de doentes e feridos. Sem recursos suficientes, os médicos são obrig

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