Maior banco alemão, o Deutsche Bank divulgou, nesta terça-feira, seu primeiro prejuízo trimestral em cinco anos. Diante da crise financeira mundial, em curso a partir dos EUA, as baixas contábeis atingiram US$ 4 bilhões. Em nota, o banco afirmou que o prejuízo antes de impostos somou 254 milhões de euros (US$ 398 milhões) nos primeiros três meses do ano contra um lucro de US$ 3 bilhões no ano anterior. Essa, segundo o banco, é a pior fase da economia mundial desde o colapso da bolha da Internet, no final do século passado.
Até agora, o Deutsche tem sido uma das poucas grande instituições financeiras a passar com quase nenhuma conseqüência pela crise do subprime (hipotecas de alto risco), enquanto concorrentes como o suíço UBS e o atual proprietário do Banco Real, o Royal Bank of Scotland, foram levados às cordas e precisaram buscar mais recursos junto aos acionistas, para fazer frente às grandes perdas registradas nos últimos meses. A blindagem do banco alemão, no entanto, parece ceder à medida que avança a crise global de crédito. Os setores mais atingidos são as unidades de trading com produtos de dívida.
A receita do banco de investimentos do Deutsche sofreu a pior queda do grupo, em despencou para 880 milhões euros no primeiro trimestre contra 6,1 bilhões de euros no mesmo período do ano anterior. Em conferência com analistas, nesta terça, o presidente financeiro do Deutsche, Antonio di Lorio, voltou atrás na previsão da meta de lucro antes de impostos, então em 8,4 bilhões de euros para este ano, diante das incertezas do mercado.
- A questão não é a baixa contábil. O mais preocupante é o impacto nos negócios operacionais. Isso é decisivo. O Deutsche Bank está dependente dos mercados. Eles estão numa forte posição aqui? Eu colocaria um ponto de interrogação nisso - questionou a jornalistas um gerente de fundo que detém ações do Deutsche Bank.
O montante das últimas baixas contábeis é equivalente a mais de um terço do lucro líquido do banco alemão no ano passado e supera todas as perdas ocorridas no último exercício. Avaliada até agora num total de 5 bilhões de euros, a maior parte das baixas contábeis do primeiro trimestre são provenientes dos compromissos do banco de emprestar dinheiro para clientes como investidores de private equity e empresas em processo de aquisições. O Deutsche afirmou que sua exposição a financiamento alavancado no fim do trimestre era de mais de 33 bilhões de euros.