Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

Deus está com Bush nas mudanças climáticas

Por Rui Martins - Numa entrevista, em Genebra, pouco antes de retornar ao Brasil, o educador Paulo Freire disse-me rindo, com aquela verve nordestina que lhe deu tanta fama aqui na Europa, uma frase da qual não me esqueço - "Deus foi injusto com os outros países, pois aqui na Suíça tem de tudo, como num frasco de perfume". (Leia Mais)

Quarta, 11 de Abril de 2007 às 09:04, por: CdB

Numa entrevista, em Genebra, pouco antes de retornar ao Brasil, o educador Paulo Freire disse-me  rindo, com aquela verve nordestina que lhe deu tanta fama aqui na Europa, uma frase da qual não me esqueço  - "Deus foi injusto com os outros países, pois aqui na Suíça tem de tudo, como num frasco de perfume".


Ora, se tomássemos Deus como referencial, depois da reunião de Bruxelas sobre mudança climática, veríamos que a injustiça ainda é muito maior. É justamente a parte pobre do planeta a destinada a sofrer mais com o aquecimento da atmosfera do planeta.
Deixando de lado o revolucionário militante da boa ala do catolicismo, vem-me à lembrança o que ouvia, na minha adolescência e juventude, de líderes presbiterianos - "os Estados Unidos se desenvolveram por serem protestantes".


É verdade, quem pegar um mapa e olhar quais serão os países vítimas das mudanças climáticas vai ver que Deus não é brasileiro mas dá uma força aos estadunidenses e aos europeus. Os católicos do Brasil e da Itália não precisam se revoltar contra o Supremo porque os países árabes, na faixa atingida duramente pelo aquecimento, também teriam sido esquecidos por Alá, tanto quando Israel por Jeová.


Ora, deixando-se crendices de lado, é verdade que a mudança climática vai favorecer os países ricos e estigmatizar ainda mais os países pobres. como se a natureza quisesse repetir a mesma tendência econômica da mundialização, pela qual os ricos (multinacionais, nem  sempre países) ficam mais ricos e os pobres mais pobres.


Em Bruxelas, demorou sair o comunicado final porque as conclusões não eram das melhores e poderiam assustar os habitantes do planeta e porque os EUA, a China e a Rússia, menos prejudicados em comparação com os países do Sul, não estão a fim de colaborar com as medidas de salvação do planeta.


Em linhas gerais, tudo confirma nossas informações do começo do ano  - o mundo vai mudar e, se não houver uma disparada dos termômetros em termos de aquecimento, nossa espécie poderá sobreviver.


Enquanto o apocalipse não se confirma, os EUA, um dos principais poluidores do mundo, terão maiores colheitas de cereais, de 5 a 20%. Em outras palavras, Bush não quis entrar no protocolo de Quioto e saiu lucrando.


Nossa floresta tropical amazônica vai virar vegetação de savanas e estepes, as plantações de soja, as futuras plantações de cana-de-açucar e desmatamentos poderão transformá-la numa região parecida com áreas desérticas africanas, enquanto o Nordeste se tornará semi-árido. A região do Rio da Prata será alagada com o aumento do nível do mar. A Serra do Mar mostrará sua grande utilidade, tornando-se um contraforte ao avanço do Atlântico, mas as praias serão em gra

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