Os detentos do presídio Urso Branco, em Porto Velho (RO), encerraram na tarde desta quarta-feira a rebelião que haviam iniciado no Natal, depois que o governo do Estado concordou em trazer de volta à penitenciária um dos principais líderes dos rebelados. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os presos mantinham 196 reféns, sendo 11 homens e o restante mulheres, que já começavam a deixar a Casa de Detenção José Mário Alves da Silva, conhecida como presídio Urso Branco.
Eles exigiam o retorno ao Urso Branco de Ednildo Paula Souza, o Birrinha. Condenado a cerca de 30 anos por dois homicídios, associação para o tráfico e lesão corporal, Birrinha é considerado um dos líderes dos detentos.
- O Birrinha já está em Porto Velho, e os reféns já estão saindo da cadeia. Por enquanto não há notícia de reféns feridos - disse o assessor de imprensa da Secretaria da Segurança e Defesa da Cidadania de Rondônia, Dalton Di Franco.
Birrinha havia fugido do Urso Branco no dia 24 de novembro último. Ao ser recapturado em 17 de dezembro, foi transferido para o presídio de Nova Mamoré, a 300 km de Porto Velho, na divisa com a Bolívia. Essa transferência teria sido o estopim da rebelião. De acordo com Di Franco, Birrinha chegou a Porto Velho na noite da última segunda-feira. Um acordo vem sendo costurado com os presos desde então e só se concretizou na tarde desta quarta-feira.
O governo temia que a demora nas negociações fosse uma tática dos presos para cavar túneis e facilitar possíveis fugas.
- Uma varredura será feita pela Polícia Militar no presídio para apurar se isso aconteceu - disse Di Franco.
A varredura também determinará se houve ou não pessoas mortas na rebelião. Os presos alegavam ter matado 16 pessoas, mas familiares que deixaram a penitenciária disseram não ter visto vítimas, segundo a Secretaria da Segurança. Birrinha está em uma delegacia de Porto Velho, onde aguarda transferência para o Urso Branco, o que acontecerá "assim que houver condições", segundo o governo do Estado.
De acordo com o governo, o Urso Branco abriga cerca de 1.000 detentos, apesar de sua capacidade para apenas 360. Em abril do ano passado, 15 pessoas morreram no presídio em uma rebelião que teve uma semana de duração. Alguns foram decapitados.