Os problemas da alfabetização infantil voltaram a ser debatidos após a apresentação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Está prevista a criação de uma prova nacional, Provinha Brasil, para avaliar se as crianças estão, de fato, aprendendo a ler e a escrever.
O governo também planeja ações para melhorar a qualificação dos professores das séries iniciais. Representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais em Educação (Undime) reuniram-se nesta semana em Natal (RN) para discutir o assunto com educadores.
A presidente da Undime e secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Maria do Pilar, explica que cada vez mais crianças estão tendo acesso à educação. O problema, segundo ela, é que a maioria chega sem estímulo pedagógico familiar prévio e ainda enfrenta a falta de preparo dos professores. - As crianças chegam à escola com seis ou sete anos, de famílias onde os pais não tiveram acesso à educação. Chegam com uma bagagem letrada muito pequena. Faltam novas pedagogias e tecnologias para alfabetização - avalia Pilar.
De acordo com ela, em Minas Gerais, foi realizada no ano passado uma avaliação com alunos recém-alfabetizados e os dados serão utilizados para melhorar o processo de aprendizagem no Estado. O último censo escolar mostra que no Brasil existem mais de 33 milhões de crianças matriculadas no Ensino Fundamental, que vai do 1º ao 9º ano.
De acordo com a professora de lingüística da Universidade de Brasília (UnB), Stella Maris, as crianças deveriam aprender a ler e a escrever até o 2º ano (antiga 1ª série) e nos anos seguintes aprimorar o conhecimento. - A grande questão é que os professores precisam de uma melhor formação para trabalhar com mais eficiência - acrescenta a professora. Segundo ela, o processo de alfabetização precisa ser contínuo, ou seja, o ideal é exercitar a leitura durante toda a vida escolar.
No Distrito Federal, o Centro de Educação Infantil que reúne o maior número de crianças em processo de alfabetização (1.078) fica na região administrativa de São Sebastião. Faltam material didático e professor.
A diretora da escola, Daniela Medeiros Barbosa, diz que é preciso improvisar na hora de dar aulas. - Hoje está faltando uma professora, não podemos dispensar as crianças porque a educação é um direito. Eu vou entrar em sala e o trabalho na direção, infelizmente, vai ter que parar -.
A professora Fátima Alice Mares de Figueiredo, que também trabalha no centro e leciona há 14 anos, reclama da superlotação nas salas. - Se o governo investisse verdadeiramente o que ele promete, se ele investisse a fundo na educação, não estaria nessa situação tão difícil - reclamou.
Nesta quinta-feira, em entrevista à Rádio Nacional, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que a própria ampliação do ensino fundamental para nove anos foi adotada para melhorar a alfabetização infantil. - Isso pode favorecer o movimento de um ciclo de alfabetização dos seis aos oito anos, se garantir que nos dois anos iniciais ou no mais tardar, nos três anos iniciais, a criança esteja plenamente alfabetizada - explicou Haddad.
- É absolutamente possível, desejável alfabetizar as crianças até essa idade, garantir que até os oito anos todos os brasileiros estejam alfabetizados. Quando você faz avaliação aos dez anos e conclui que essa criança ainda é um analfabeto funcional, aos dez, onze ou doze anos é muito difícil recuperar essa criança - avaliou Haddad.
Despreparo de professores é obstáculo para alfabetização
Os problemas da alfabetização infantil voltaram a ser debatidos após a apresentação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Está prevista a criação de uma prova nacional, Provinha Brasil, para avaliar se as crianças estão, de fato, aprendendo a ler e a escrever. O governo também planeja ações para melhorar a qualificação dos professores das séries iniciais. (Leia mais)
Sexta, 23 de Março de 2007 às 07:36, por: CdB