O aumento do endividamento e das despesas financeiras para a compra da Brasil Telecom derrubaram o lucro da Oi, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira, primeiro demonstrativo que inclui os números da companhia adquirida.
A Oi, entretanto, espera alongar o perfil da dívida durante o ano e reduzir a relação dívida líquida/Ebitda até 2011, segundo o diretor de finanças e relações com investidores, Alex Zornig, em teleconferência com a imprensa.
A Oi informou um lucro líquido de R$ 11 milhões no primeiro trimestre do ano, número que equivale a uma queda de 98%, já que os números das duas empresas consolidados mostram um lucro de R$ 564 milhões em igual trimestre do ano passado.
A dívida líquida consolidada atingiu R$ 19,2 bilhões, com o acréscimo de R$ 9,4 bilhões sobre dezembro de 2008, por conta da consolidação da dívida da Brasil Telecom e os desembolsos para a aquisição da companhia.
Zornig esclarece, entretanto, que "só 2% da dívida está exposta", o restante está protegido por operações de hedge.
As despesas financeiras atingiram R$ 630 milhões, ante a cifra de 168 milhões de reais do mesmo trimestre do ano passado.
O executivo afirmou que todos os compromissos para 2009 já estão resolvidos.
– Só vamos começar a pensar em alguma outra captação grande no segundo semestre –. Antes disso, explicou, só se abrir uma janela de oportunidade no mercado.
A companhia vendeu bônus de US$ 750 milhões em abril e encontrou uma demanda de 4 vezes, de acordo com o executivo.
A queda na taxa Selic, entretanto, torna o mercado doméstico mais atraente, segundo ele, que ainda citou a possibilidade de obtenção de empréstimos com bancos de fomento.
A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, da sigla em inglês), ficou em R$ 2,19 bilhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 15,2% menor que o resultado pró-forma do ano anterior.
A Oi prevê chegar ao final de 2009 com uma relação dívida/Ebitda em torno de duas vezes, mas quer reduzir o índice para 1,8 ou 1,9 até 2011. A forma para isso, segundo o diretor, será elevar o Ebitda e reduzir a dívida líquida.
A receita líquida da nova Oi teve alta de 3,5% sobre o mesmo trimestre de 2008, para R$ 7,49 bilhões.
A receita média por usuário, entretanto, caiu em todos os serviços da companhia (telefonia fixa, celular e banda larga).
A provisão para devedores duvidosos (PDD), por sua vez, teve uma alta de 16,4%. Zornig, no entanto, afirmou que a provisão ficou por volta de 3,5% da receita bruta, em linha com primeiro trimestre de 2008, que era de 3,3%.
Além disso, ele citou que o usuário de celular pré-pago também tem feito menos recargas do que nos trimestres anteriores, o que pode explicar a queda da receita média por usuário.
Para o executivo, a queda na receita por cliente da Oi "foi menor que a maioria dos concorrentes" e a empresa ainda está iniciando operações no Estado de São Paulo, "o que afeta um pouco a comparação".
A Oi espera a aprovação formal da CVM para realizar as ofertas públicas pelas ações da Brasil Telecom em circulação.
De acordo com o diretor, a CVM deve dar seu aval na próxima semana. A partir disso, a Oi acredita que por volta de 15 de junho possa finalizar as duas ofertas.