As forças palestinas de segurança estão tão desordenadas que podem ser incapazes de preencher o vácuo deixado por Israel após a desocupação da Faixa de Gaza, prevista para começar em agosto, disse um relatório independente divulgado nesta terça-feira.
A pesquisa, realizada por uma instituição de Washington que assessora o coordenador norte-americano de segurança, general William Ward, disse que as forças palestinas são inchadas, mal armadas, corruptas e abaladas por rivalidades entre os comandantes.
O relatório também critica Israel por minar a eficácia das forças palestinas por meio de suas operações militares ao longo de quase cinco anos e de não coordenar adequadamente a retirada de Gaza com os palestinos.
As conclusões da entidade Iniciativa de Avaliações Estratégicas foram divulgadas horas antes de Ward ser inquirido por uma comissão parlamentar de seu país. Ele é o general indicado por Washington para ajudar a Autoridade Palestina a reformular suas forças de segurança.
O texto diz que os palestinos "carecem da capacidade de cumprir suas funções essenciais" e que eles podem ter problemas para assumir o controle quando Israel retirar seus soldados e 9.000 colonos de Gaza e do norte da Cisjordânia, a partir de meados de agosto.
- A falta de clareza com relação ao futuro dos bens dos assentamentos, da alocação de terras e dos direitos de propriedades pode representar uma ameaça à estabilidade - disse o relatório.
A desocupação de Gaza, com a qual pela primeira vez Israel vai abrir mão de assentamentos em territórios ocupados os quais os palestinos querem para formar um Estado, é vista como um teste para a capacidade palestina de exercer o controle, antes de eventuais negociações sobre um futuro tratado de paz.
Apesar da avaliação pessimista, funcionários israelenses e palestinos prometem levar adiante as reuniões para coordenar a operação e evitar ataques de militantes ou o saque a propriedades abandonadas pelos israelenses.
O general Jamal Kayed, comandante das forças palestinas no sul da Faixa de Gaza, disse que cerca de 7.000 policiais e tropas paramilitares serão acionadas para evitar a violência durante a retirada e dar segurança aos assentamentos desocupados.
- Estamos prontos, independentemente de eles coordenarem conosco ou não. Estamos pegando nossas terras de volta - disse ele, acrescentando que há negociações para estabelecer um escritório conjunto de coordenação com Israel durante a retirada.
Segundo o relatório, a maior ameaça durante a operação será a dos grupos militantes, especialmente Jihad Islâmica e Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, que é ligada à facção governista palestina Fatah.
O texto afirma que a coordenação pode reduzir o risco de ataques desses grupos, mas que dificilmente as forças palestinas imporão controle total, especialmente no sul da Faixa de Gaza, onde os militantes controlam áreas próximas a assentamentos judaicos.
Pedindo assistência internacional urgente para as reformas palestinas, o relatório diz que o plano de paz norte-americano para a região, que prevê a criação de um Estado palestino, pode naufragar se não houver reformas abrangentes.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, põe as reformas nos serviços de segurança, entre os quais há grandes rivalidades internas, como prioridade desde sua eleição, em janeiro. Seu antecessor, o falecido Yasser Arafat, cultivava divisões dentro das forças de segurança.