O nível do desmatamento na Amazônia voltou a subir, com força, nos últimos meses e deve aumentar ainda mais em 2008, pela primeira vez em quatro anos, disse Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A constatação levanta dúvidas quanto à política ambiental do governo brasileiro para proteger a Amazônia, cujo desmatamento é uma importante fonte de emissão de carbono.
- Penso que os últimos quatro meses são uma grande preocupação para o governo e agora eles estão enviando mais gente para fazer a fiscalização. Mas eu posso dizer que (o desmatamento) será muito maior do que em 2007 - disse Nobre durante seminário em Washington, acrescentando que nos últimos quatro meses foram perdidos 6 mil quilômetros quadrados de floresta.
Esse dado se compara com a estimativa de perda de 9.600 quilômetros quadrados no acumulado dos 12 meses encerrados em 31 de julho, o que o governo brasileiro afirmou ser o menor nível de desmatamento desde a década de 1970. Grupos de defesa do meio-ambiente afirmam que a alta dos preços das commodities devem impulsionar o desmatamento para a criação de áreas cultiváveis como ocorreu em 2004, ano em que o Brasil registrou sua maior taxa de desmatamento, de mais de 27 mil quilômetros quadrados.