Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Desinteresse tira 20% dos jovens da escola, diz pesquisa

Terça, 03 de Abril de 2007 às 15:49, por: CdB

Um em cada cinco jovens com idade entre 15 e 17 anos não freqüenta a sala de aula, segundo pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os principais motivos alegados pelos jovens que estão fora da escola são desinteresse (42%), atividade profissional ou doméstica que impede o estudo (21%) e falta de transporte (10%).

O resultado da pesquisa é uma mensagem clara aos governos, na opinião do coordenador da pesquisa, Marcelo Nery.

- O atual modelo de escola não vem despertando interesse suficiente. É necessário que se crie uma escola revolucionária. Eu não sou um especialista em educação, mas acredito que uma política educacional de inclusão digital seria muito importante para atrair esses jovens -, avaliou.

Nery destacou ainda a necessidade de um conteúdo pedagógico "mais identificado com a realidade dos jovens e também mais eficiente do ponto de vista do mercado de trabalho, com ênfase nas escolas técnicas. Além da promoção de uma maior conscientização de pais e gestores públicos sobre a importância da educação".

Rondônia é o estado com a maior taxa de jovens que não querem estudar por desinteresse, com 13,75%. Já o Acre se destaca por apresentar os mais altos índices dos que não estudam por falta de escolas acessíveis, 4,99%, e dos que têm que trabalhar, 7,88%.

Entre os jovens de 15 a 17 anos, os que têm maior jornada na escola são os de Brasília, com uma média de 4,8 horas por dia. Já o estado Santa Catarina, segundo Nery, "surpreendeu negativamente", ocupando o último lugar entre as unidades da federação, com 3,1 horas.

- Isso pode ter a ver com uma tradição maior desses jovens exercerem atividades rurais -, avaliou.

O Rio de Janeiro ocupa o primeiro lugar do ranking nessa faixa etária para os índices de matrícula, e Pernambuco, o último. Já no quesito presença, os mais assíduos são os alunos do Amazonas e os menos, do Maranhão. A pesquisa foi feita com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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