Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

Desespero leva agentes penitenciários a ampliarem protestos

A cada agente penitenciário do Estado de São Saulo assassinado por integrantes de organizações criminosas, a categoria fará uma paralisação de 24 horas no dia seguinte ao ataque. A decisão foi tomada durante assembléia realizada no início de junho, após os ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, em maio. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Julho de 2006 às 19:59, por: CdB

A cada agente penitenciário do Estado de São Saulo assassinado por integrantes de organizações criminosas, a categoria fará uma paralisação de 24 horas no dia seguinte ao ataque. A decisão foi tomada durante assembléia realizada no início de junho, após os ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, em maio. Durantes as ações do PCC, nove agentes penitenciários foram assassinados.

Essas mortes se somam a outras seis registradas entre meados de junho e julho, segundo o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), Cícero Sarney dos Santos. Em protesto contra o assassinato dos colegas, entre os quais um agente de escolta e vigilância penitenciária, a categoria já paralisou as atividades durante 144 horas, ou seja, seis dias. A manifestação mais recente ocorreu neste sábado, um dia após a execução do agente Paulo Gilberto dos Santos.

O presidente do Sindasp preferiu não fazer um balanço de quantas penitenciárias do Estado foram atingidas pela paralisação de 24 horas. Mas disse que a orientação era de que os agentes suspendessem as atividades, como as visitas aos presos, nas 144 unidades prisionais. De acordo com Santos, só foram mantidos a alimentação dos detentos e os atendimentos de emergências médicas.

Segundo afirmou, a paralisação representa um dia de luto para a categoria e também é um "grito de socorro".

- Os agentes de segurança penitenciária aqui de São Paulo estão sendo vigiados até o momento do assassinato e abatidos. Estamos sendo caçados e abatidos, sem nenhuma justificativa - afirmou.

Santos afirmou que os agentes penitenciários de são Paulo estão apreensivos, trabalhando num clima de medo e insegurança.

- O terror está instalado, a gente está numa situação de total impotência, de total abandono - disse.

De acordo com o sindicalista, muitos agentes são alvo de "ameaças constantes".

- São cartas interceptadas, telefonemas grampeados, às vezes algum preso que não quer se envolver com isso (os ataques) tem a liberdade de confessar a um agente penitenciário, então são várias fontes pelas quais a gente obtém essas informações - revelou.

Para tentar se proteger de eventuais ataques, muitos agentes adotaram mudaram a rotina, explicou o presidente:

- Eles mudam o percurso do trabalho para a casa, ao fazer compras, buscam demorar o menor tempo possível, não participam de festas, dependendo do local e do horário, enfim, procuram estar sempre atentos.

Segundo Santos, no interior dos presídios paulistas, os agentes têm dificuldades para se defender.

- A arquitetura das cadeias é errada, elas são verdadeiras armadilhas para nós que trabalhamos lá. Não temos rotas de saída, nenhuma alteração na estrutura que possa dificultar o acesso do preso em determinado momento, não temos nenhum dispositivo para contenção, não dispomos de armas com bala de borracha, escudo, gás lacrimogêneo - afirmou, ao lembrar que os agentes também não usam armas de fogo nas unidades prisionais.

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