Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Deserção de pugilistas pode afastar Cuba de campeonato mundial

O presidente cubano Cuba estuda a possibilidade de não disputar o Campeonato Mundial de Boxe, em Chicago, nos Estados Unidos, por conta do caso dos dois boxeadores que fugiram durante o Pan. Castro quer evitar que seus atletas sejam "carne fresca" para deserções pelas mãos de "tubarões", segundo editorial publicado na quarta-feira pela imprensa oficial do país. (Leia Mais)

Quarta, 08 de Agosto de 2007 às 09:47, por: CdB

Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara, os pugilistas cubanos que desertaram durante os Jogos Pan-Americanos do Rio se arrependeram de abandonar a delegação cubana, pediram perdão a Fidel Castro e estão em Havana desde domingo. Mas jamais voltarão a defender a seleção de boxe de Cuba em uma competição internacional. 
 
O presidente cubano Cuba estuda a possibilidade de não disputar o Campeonato Mundial de Boxe, em Chicago, nos Estados Unidos, por conta do caso dos dois boxeadores que fugiram durante o Pan. Castro quer evitar que seus atletas sejam "carne fresca" para deserções pelas mãos de "tubarões", segundo editorial publicado nesta quarta-feira pela imprensa oficial do país.

"As autoridades esportivas estão analisando todas as variáveis possíveis, incluindo mudar a lista de boxeadores ou não enviar delegação alguma, apesar dos castigos que nos esperam", disse Castro em artigo. A nota do líder cubano é publicada logo após o retorno à ilha de Rigondeaux e Lara.

Rigondeaux e Lara eram medalhas contadas para Cuba não só no Pan do Rio, como no Mundial de Boxe Amador - de 23 de outubro a 3 de novembro, em Chicago -, e também na Olimpíada de Pequim, no ano que vem.

O canhoto Rigondeaux teria a possibilidade de igualar o tricampeonato alcançado apenas pelos compatriotas Teófilo Stevenson e Felix Savon, e pelo húngaro Laszlo Papp. Melhor. Com apenas 26 anos, o pugilista dos dentes de ouro poderia lutar até Londres-2012 e entrar para a história como o maior vencedor do boxe amador.
 
Os atletas estão em uma casa do governo cubano em Havana, mas ainda não deram entrevistas. Segundo comunicado assinado por Fidel Castro, "a experiência dos dois será importante para melhorar o esporte do país". Fidel afirmou que os boxeadores não serão punidos.
 
Os dois ficaram desaparecidos por uma semana, após sumirem da Vila Pan-Americana, no Rio, no dia 21, e não se apresentaram para a pesagem no dia seguinte. Foram encontrados em uma praia em Araruama, a 90 quilômetros do Rio, e deportados no último sábado à noite. Eles tinham contrato de cinco anos assinado com uma empresa alemã para morarem em Hamburgo e entrarem no boxe profissional.
 
Rigoundeaux e Lara afirmaram em seus depoimentos à Polícia Federal que saíram da vila do Pan para fazer compras, foram dopados e mantidos presos em um apartamento em Copacabana, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.
 
Os dois disseram que queriam comprar um videogame e foram abordados por duas pessoas, identificadas por eles como Michel e Alex, que haviam dito que sabiam onde os cubanos poderiam comprar um aparelho "barato". No meio do caminho para um shopping, Alex teria oferecido aos atletas bebidas alcoólicas e energéticos. Rigoundeaux e Lara disseram que recusaram a bebida alcoólica, mas aceitaram os energéticos.
 
Rigoundeaux e Lara sugeriram que foram dopados. Depois eles teriam sido levados ao apartamento de Michel, em Copacabana, mas pediram para voltar à vila. Eles disseram que Lara chegou a receber uma ligação do chefe da inteligência cubana, Luís Mariano, mas Michel teria tomado dele o celular e destruído o aparelho.
 
Os boxeadores acabaram sendo levados para Araruama, onde foram localizados pela Polícia Federal. Eles ainda disseram que foram abandonados por Michel e Alex, que não teriam arcado com os R$ 2.200 da estadia na pousada.

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