Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Desenvolvimento verde pode ser caminho para 'Brasil superpotência'

Um modelo de desenvolvimento "verde" pode ser o caminho para o Brasil se estabelecer como uma “superpotência” mundial e um exemplo a ser seguido, na avaliação do diretor-geral da organização ambiental Greenpeace International, Kumi Naidoo.

Quarta, 29 de Setembro de 2010 às 07:28, por: CdB

Um modelo de desenvolvimento "verde" pode ser o caminho para o Brasil se estabelecer como uma “superpotência” mundial e um exemplo a ser seguido, na avaliação do diretor-geral da organização ambiental Greenpeace International, Kumi Naidoo. Naidoo, que se tornou conhecido como ativista contra o apartheid em seu país natal, a África do Sul, dirige o Greenpeace desde novembro do ano passado. – O Brasil está bem no caminho da transição entre uma economia ‘emergente’ e uma economia ‘industrializada’. Se eu pudesse dar apenas um conselho para o próximo presidente do país seria isso: Não baseie seu crescimento em modelos que não serviram bem ao mundo –, diz Naidoo. – Considerando a crise do aquecimento global, apenas os países que incluírem a preocupação ambiental em seus planos de desenvolvimento econômico, tecnológico e social terão sucesso como líderes do futuro –, afirma o ativista. Mudanças climáticas Para ele, o Brasil hoje está “à beira de se tornar uma superpotência”, mas pode cair para qualquer lado no que se refere a ser um modelo “verde” para o resto do mundo. Nas décadas passadas, as superpotências eram estabelecidas por corridas por acumulação de armas e pelas viagens espaciais. Dado o perigo que o planeta enfrenta hoje como resultado das mudanças climáticas, a corrida hoje somente pode ser ‘verde’”, afirma Naidoo. Para ele, “ao resistir os estímulos a emular modelos econômicos que provocaram a atual crise ambiental, o Brasil pode provar ao mundo que um novo caminho de desenvolvimento é possível - um com os melhores interesses de seus próprios cidadãos e do resto do planeta em mente”. “O mundo precisa de um Brasil verde”, afirma. Naidoo disse ter se reunido com os três principais candidatos à Presidência do Brasil e ter ficado impressionado com o interesse aparente deles na proteção ambiental. O diretor do Greenpeace se disse desapontado, porém, pelo fato de que as questões ambientais importantes, incluindo as discussões sobre o novo código florestal e de infraestrutura urbana, quase não foram tocadas durante a campanha presidencial. Segundo ele, o Brasil até agora conseguiu manter um “incrível crescimento econômico” sem destruir muito seus recursos ambientais, na comparação com a Europa ou os Estados Unidos. “Seu território, apesar de pouco menor que o dos Estados Unidos, engloba seis biomas, 62% dos quais ainda cobertos de matas nativas. Vocês têm quase 8% dos recursos mundiais de água doce, e seus rios têm mais espécies de peixes do que todos os rios da Europa juntos. Seu país é o único no mundo com o potencial de conservar a biodiversidade em uma escala continental”, observa. Segundo ele, o fato de que a matriz energética brasileira é composta em 80% por fontes renováveis pode servir de exemplo para o mundo de que é possível garantir um bom padrão de vida à população sem recorrer ao uso de combustíveis fósseis. Como comparação, a China tem mais de 90% de sua matriz energética baseada em combustíveis fósseis (carvão, petróleo ou gás natural), apesar de ter construído a maior usina hidrelétrica do mundo, Três Gargantas, que superou em tamanho a usina de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai. Naidoo se diz desapontado, porém, pelo fato de o Brasil “já ter começado a mostrar sinais perigosos de uma inclinação a colocar a produção de commodities acima da proteção ambiental e do respeito aos seus cidadãos”. Ele critica o fato de, apesar de a matriz energética brasileira ainda ser prioritariamente limpa, a maior parte vem de grandes usinas hidrelétricas, cujas represas provocam um impacto social e ambiental grande. – O Brasil hoje deveria expandir o uso da tecnologia de pequenas hidrelétricas sem grandes projetos como Belo Monte –, afirma. Para Naidoo, outro campo para preocupação é o cuidado com as florestas. – A Mata Atlântica, segunda maior floresta brasileira após a Amazônica, praticamente desapareceu como resultado de desmatamento sem controle. Quase 20% da Amazônia consiste hoje de pasto ou terras degradadas. Quase metade do Cerrado, cerca de 45 milhões de hectares, foram convertidos para o uso agrícola em menos de 20 anos –, cita o diretor do Greenpeace. – Os biomas remanescentes no Brasil são raramente monitorados e, de uma maneira geral, o controle das florestas em todo o país ainda é extremamente fraco. Em 2008, os satélites do governo registraram quase 3 milhões de hectares de novas florestas degradadas na região –, comenta. – Hoje 80% da população brasileira vive em centros urbanos, onde um número assustador de 35 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a sistemas de esgoto –, complementa.

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