Todos os nove membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco da Inglaterra votaram a favor do corte de 1 ponto percentual da taxa básica de juro este mês e discutiram até mesmo a necessidade de uma redução mais acentuada.
De acordo com a ata da reunião dos dias 3 e 4 de dezembro, publicada nesta quarta-feira, os diretores do banco central britânico não chegaram nem a cogitar um corte menor do que os 100 pontos-base efetivado, diante da grande preocupação sobre os riscos de desaceleração da economia.
Eles consideraram um corte ainda maior, o que levaria a taxa básica de juro para patamar abaixo de 2% pela primeira vez desde que o Banco da Inglaterra foi instituído há mais de 300 anos, mas decidiram não promover tal corte por medo de surpreender os mercados que não precificavam tal movimento.
"Havia o risco de ir mais longe e causar uma queda excessiva na taxa de câmbio. Havia também o risco de um corte grande inesperado pudesse afetar a confiança na economia de maneira mais ampla", afirmaram os diretores do BC britânico de acordo com a ata.
Desemprego
Uma das principais razões para o corte drástico na taxa de juros britânica foi o desemprego no Reino Unido, que subiu ao ponto mais elevado dos últimos 17 anos, levando a taxa de desemprego para os 6%, a maior em nove anos.
O número de desempregados que recebem o subsídios do governo aumentou em 75.700 para os atuais 1,07 milhão de britânicos, mês passado, número mais elevado desde 2000, anunciou o Departamento Nacional de Estatística do país. Os números surpreenderam as estimativas dos economistas contactados pela agência noticiosa norte-americana que aguardavam um aumento de 44 mil pessoas.
O corte de postos de trabalho por parte das empresas britânicas, como forma de conseguir reduzir os custos, é a principal causa para o aumento do desemprego. As empresas britânicas têm recorrido a esta medida como forma de enfrentar a deterioração económica.
– Só vai piorar daqui para a frente – afirmou Nick Kounis do Fortis Bank citado pela Bloomberg, acrescentando que vem pela frente “um período extenso e prolongado de aumento do desemprego".
Kounis confirmou ainda que as “taxas de juro vão ter de cair significativamente” como forma de estimular a economia do Reino Unido.