Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Desemprego faz mendicância explodir no Chile

Segunda, 15 de Dezembro de 2003 às 06:40, por: CdB

Nos últimos anos o desemprego gerou uma curiosa "profissão" no Chile: a mendicância. Segundo especialistas, "os que vivem dessa forma, são indivíduos que o Estado e a sociedade esqueceram e se transformaram em seres invisíveis". Há mais de uma década, se estabeleceram no centro de Santiago agrupando-se e formando colônias.

Ao cair da tarde, esta nova geração de mendigos regressa a seus lares com mais ou menos 2.000 a 4.000 pesos. Tudo depende dos dias ou mês. Segundo estudos de instituições governamentais e ONGs que se dedicam à ajuda solidária, existem três tipos de mendigos: Os "tradicionais", que se localizam em portas de grandes edifícios, ruas principais e estações do metrô, com crianças em condições deploráveis; não têm residência fixa, geralmente vivem debaixo de uma ponte e com seus cartazes mal escritos esperam a "ajuda" do transeunte. São "pessoas em situação de rua" que necessitam serem amparados.

Um segundo tipo é o de supostos inválidos, que pedem para operar-se ou comprar medicamentos, mas nem sempre sofrem de algum mal ou doença: uma grande maioria usa este argumento para comover. Em geral, são os que estão nas ruas com mais freqüência. O terceiro tipo de mendigo está incluso na categoria de "novos pedintes": têm lar, estão desempregados ou não querem trabalhar e encontraram neste sistema um jeito fácil de obter dinheiro.

A maioria apresenta um perfil anti-social, ou seja, usam a enganação para obter benefícios. Estes mendigos recrutam gente da mesma condição que eles - crianças, pessoas doentes e anciãos - para provocar um estado de lástima: "Um indivíduo que vive na rua e que não tem patologias médicas é um caso social, ou seja, que não se adapta ou não quer adaptar-se ao sistema em que vive e o tipo de intervenção deve ser do tipo psicosocial", afirma a psiquiatra Kateherina Llanos do Instituto Psiquiátrico José Horwitz Barak.

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