Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Desemprego aumenta e chega ao pior resultado desde o início da década

O nível de emprego na indústria brasileira recuou 0,6% de fevereiro para março, a sexta retração consecutiva nesse tipo de comparação. Em relação a março do ano passado, a redução foi de 5%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os dados neste terça-feira, este foi o pior resultado desde 2001. (Leia Mais)

Terça, 12 de Maio de 2009 às 09:45, por: CdB

O nível de emprego na indústria brasileira recuou 0,6% de fevereiro para março, a sexta retração consecutiva nesse tipo de comparação. Em relação a março do ano passado, a redução foi de 5%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os dados neste terça-feira, este foi o pior resultado desde 2001, quando a série histórica da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário teve início.

O levantamento mostra, ainda, que desde outubro do ano passado, após o agravamento da crise financeira internacional, o emprego na indústria acumula perda de 5,8%. Nos 12 meses fechados em março, o estudo revela alta discreta de 0,3%. De janeiro a março, observa-se recuo de 4% na comparação com o mesmo período de 2008.

A pesquisa revela também que de fevereiro para março a folha de pagamento dos trabalhadores da indústria recuou 2,5% e, no confronto com março do ano passado, a retração foi de 2,2%. As demissões superaram as contratações nos 14 locais pesquisados na comparação entre os meses de março dos dois anos. As pressões negativas mais significativas foram exercidas por São Paulo (-4,0%), Região Norte e Centro-Oeste (-8,6%) e Minas Gerais (-6,2%).

Em termos setoriais, na mesma base de comparação, a retração no nível de emprego industrial atingiu 14 dos 18 ramos investigados, principalmente vestuário (-8,6%), máquinas e equipamentos (-8,2%), calçados e artigos de couro (-10,3%) e meios de transporte (-7,0%).

Ajustes

O recuo no emprego industrial no mês de março, tanto na comparação com fevereiro (-0,6%), como em relação ao mesmo período de 2008 (-5,0%), ainda reflete os ajustes que o setor precisou fazer em função do agravamento da crise financeira internacional, em setembro do ano passado. A leve recuperação observada na produção industrial em março, que apresentou alta de 0,7% na comparação com o resultado de fevereiro, ainda não foi repassada aos níveis de contratações. A avaliação é da economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes.

– O emprego vem acompanhando o ritmo de atividade na indústria, que, desde outubro do ano passado, teve que fazer ajustes nas suas linhas de produção principalmente diante das incertezas quanto aos investimentos. Em março, observamos uma ligeira recuperação na atividade, mas ainda sem reflexo no emprego, já que existe uma defasagem natural no tempo dessa resposta. O ajuste no mercado de trabalho ainda está mostrando seu lado mais forte neste início de ano, ou seja, ainda estamos num processo de ajuste no mercado de trabalho – afirmou.

A economista destacou ainda que o recuo no emprego industrial não está localizado em nenhuma área geográfica ou setor de atividade, mas foi verificado nos 14 locais pesquisados e em 14 dos 18 ramos investigados.

– Esse processo (das demissões superando as contratações) está disseminado entre as áreas geográficas e os setores industriais. O que percebemos apenas é que ele se concentra mais fortemente nas regiões mais industrializadas, como é o caso de São Paulo (com queda de 4,0%), da Região Norte e Centro-Oeste (que apresentou retração de 8,6%) e de Minas Gerais (que recuou 6,2%) – concluiu.

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