A participação dos EUA na formação do superávit brasileiro caiu de 26% (o equivalente a US$ 8,83 bilhões de US$ 33,69 bilhões), em 2004, para 21%, no ano passado (US$ 9,8 bilhões de US$ 44,76 bilhões). A própria participação dos EUA no total de exportações brasileiras caiu de 21,1% para 19,1% nesse período. Entre os especialistas em negociações internacionais, saldo comercial é um dos fatores que aumentam o poder de barganha de um país sobre outro. Com a redução do saldo, pode-se dizer que o Brasil ficou menos "dependente" dos EUA em 2005.
Ainda do lado das exportações, o grande destaque de 2005 foram os manufaturados, produtos com alto valor agregado, cujo aumento de 23,5% sobre o mesmo período de 2004 se deve, segundo o governo, ao aumento das quantidades embarcadas e não à elevação dos preços internacionais. Nesta categoria, destaca-se o crescimento de celulares (+99,6%), veículos de carga (+50,4) e automóveis (+31,6%). Com este bom desempenho, as manufaturas já respondem por 55,1% da pauta de exportação brasileira. Já os básicos e os semimanufaturados, no ano passado em comparação com 2004, tiveram os crescimentos de 22,2% e 19,3%, respectivamente, influenciados pelo aumento dos preços externos. Para 2006, as previsão também são otimistas. O ministro Luiz Fernando Furlan acredita que as exportações continuarão crescendo, e devem chegar ao final do ano em US$ 132 bilhões.
Entre janeiro e dezembro, o saldo positivo e recorde da balança comercial alcançou US$ 44,76 bilhões. Essa é a diferença entre o total de exportações - US$ 118,3 bilhões - e de importações - US$ 73,54 bilhões. O resultado foi considerado surpreendente, já que a desvalorização de 12,4% do dólar, registrada ao longo do ano, encareceu os produtos brasileiros no exterior.
A previsão do mercado financeiro, calculada semanalmente pelo Banco Central após pesquisa com os bancos, era um pouco menor, de US$ 44,16 bilhões. O próprio governo havia fixado sua meta em US$ 42 bilhões. No fim das contas, as vendas brasileiras cresceram em valor 23%, acima da média mundial prevista pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que é de alta de 14%.
Ao explicar os resultados, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) optou pela humildade. "O Brasil está sendo beneficiado pela conjuntura mundial e é importante lembrar um ponto: o esforço das empresas brasileiras é que faz com que o nosso país cresça", disse ele, durante entrevista coletiva em São Paulo.
Furlan admitiu, porém, que há uma série de obstáculos a serem superados, como a logística, o câmbio e a burocracia, contra os quais ele disse estar trabalhando: "abrimos portas através da missões, levamos empresários em algumas delas, como na missão da Nigéria, desoneramos investimentos, temos o projeto dos aeroportos industriais entre outros".
Entre tantos números positivos, merece destaque o fato de que o país ampliou suas vendas para além do eixo formado por Estados Unidos e União Européia. As exportações avançaram para a Europa Oriental (+55,8%), África (+41,4%), Mercosul (+32,1%, com aumento de 35% para a Argentina), Ásia (+27,9%, com alta de 26,1% para a China), Aladi, exceto Mercosul (+27,5%) e Oriente Médio (+16,7%). As vendas para Estados Unidos e União Européia também cresceram, mas em patamares menores: +12,2% e +10,1%, respectivamente.
Entretanto, a diversificação não foi grande o suficiente para desbancar o mercado norte-americano como o principal destino dos produtos brasileiros. No acumulado do ano, os Estados Unidos compraram US$ 22,7 bilhões, seguidos por Argentina, com US$ 9,9 bilhões, China, com US$ 6,8 bilhões, Países Baixos, com US$ 5,3 bilhões, e Alemanha, com US$ 5,0 bilhões.
Além disso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior afirma que os produtos manufaturados foram os que mais contribuíram para a elevação das exportações de 2005 sobre 2004, ao gerar acréscimo de divisas de US$ 12,197