A desembargadora Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal de São Paulo, disse nesta terça-feira que baseou sua decisão de abrir a pista principal do Aeroporto de Congonhas com base no documento apresentado por Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O documento tratava da segurança da pista em dias de chuva e do uso do reverso, equipamento utilizado na hora do pouso para ajudar a frear os aviões.
Com base nele, a desembargadora autorizou a reabertura da pista principal de Congonhas antes do acidente com o Airbus da TAM. A pista havia sido fechada para reformas e foi reaberta sem o grooving, as ranhuras que ajudam a escoar a água da pista em dias de chuva.
No entanto, o documento era um estudo técnico e, portanto, não tinha validade normativa. Mas isso só foi revelado no dia 16 de agosto, no depoimento de Abreu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado.
— O mote da defesa [da Anac, para que a pista fosse reaberta] era de que essas normas eram mais rígidas que as internacionais —, disse Marcondes, em depoimento nesta terça-feira à CPI do Senado.
Segundo a desembargadora, à época, Denise Abreu afirmou que a Anac tinha normas que garantiam a segurança da pista.
— Então, a senhora pode ficar sossegada porque nada vai acontecer —, afirmou Marcondes à CPI, citando a frase que Denise Abreu teria dito a ela quando foi ao gabinete da desembargadora entregar as normas.
Desembargadora diz que autorizou abertura da pista de Congonhas com base em documento da Anac
Terça, 28 de Agosto de 2007 às 16:33, por: CdB