Alguns cientistas americanos obtiveram a seqüência do cromossomo Y masculino e descobriram a forma com a que a natureza tem perpetuado os homens sobre a terra, segundo publicou nesta quarta-feira a revista britânica Nature. O cromossomo Y é o responsável pela masculinidade. Só os homens o possuem e, à parte, também contam com uma cópia do cromossomo feminino X. Como o cromossomo Y não tem um par similar ele não pode eliminar defeitos genéticos por métodos normais, ou seja, não pode trocar genes com outro Y. Por esta razão, o cromossomo Y, que determina o sexo masculino, esteve ameaçado de desaparecer durante milhões de anos. No entanto, os cientistas que decifraram o código genético do cromossomo Y descobriram que este recorre a um engenhoso mecanismo de auto-proteção. Mediante a troca de genes entre pares de cromossomos, as espécies são capazes de eliminar o desenvolvimento de mutações que podem ameaçar sua existência. As mulheres têm um par de cromossomos X capazes de trocar genes. Mas o cromossomo Y não pode trocar grandes quantidades de genes com o X porque são muito diferentes entre si. Agora os cientistas descobriram que, para compensar esta incapacidade, o cromossomo Y contém cópias de segurança de seus genes mais importantes e pode utilizar uma dessas cópias para corrigir um defeito em outro mediante um processo chamado conversão de genes. O chefe da pesquisa, o americano David Page, do Whitehead Institute filial do Massachusetts Institute of Technology, disse à revista Nature que "os cromossomos sexuais são um grande experimento da natureza". "A conversão de genes Y-Y é a mais extraordinária" das surpreendentes facetas estudadas nesta experiência. No entanto, esta técnica de "reparação genética" também pode levar a erros que podem determinar que o homem não seja fértil, algo que está sendo pesquisado. Page acrescentou que os genes do cromossomo Y poderiam estabelecer diferenças de sexo quanto à vulnerabilidade das pessoas em relação as doenças, diferenças que sempre se achou que vinham determinadas por hormônios sexuais, ao invés de cromossomos sexuais.