Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Descoberta cova com cerca de 1,5 mil corpos no Iraque

Investigadores descobriram uma cova coletiva no sul do Iraque com cerca de 1.500 corpos, a maior parte provavelmente de curdos obrigados a sair de suas casas no fim dos anos 1980. (Leia Mais)

Sábado, 30 de Abril de 2005 às 06:29, por: CdB

Investigadores descobriram uma cova coletiva no sul do Iraque com cerca de 1.500 corpos, a maior parte provavelmente de curdos obrigados a sair de suas casas no fim dos anos 1980.

O local, perto da cidade de Samawa, cerca de 300 Km ao sul de Bagdá, consiste de 18 valas rasas cavadas por veículos na rocha dura de calcário.

A maioria das vítimas era composta por mulheres e crianças, que aparentemente foram enfileiradas em frente às covas e mortas a tiros com rifles AK-47, segundo um investigador norte-americano.

Até agora foram retirados do local 110 corpos, dois terços deles de crianças e adolescentes. Eles estão sendo examinados por peritos que reúnem provas que serão usadas no caso contra Saddam Hussein e seus principais assessores por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio.

O lugar parece ter sido cuidadosamente escolhido e foi bem selado, fatores que os promotores acreditam que irão convencer a Justiça sobre a natureza premeditada do crime.

A maioria das vítimas usava roupas tradicionais curdas. Elas estavam vestindo várias camadas de roupas, o que pode indicar que sabiam que estavam sendo removidas para outro lugar, disseram os investigadores.

Essa é uma das cerca de 300 covas coletivas descobertas no Iraque desde a queda de Saddam. Algumas contém dezenas de corpos, enquanto outras possuem milhares.

Uma autoridade norte-americana, que trabalha com os iraquianos para recolher provas de crimes cometidos pelo antigo regime, disse que os curdos provavelmente seguiam para o sul durante as campanhas de Anfal (1987-88). Nesse período, Saddam obrigou a retirada de centenas de milhares de curdos de vilarejos e cidades de todo o Iraque.

O Exército de Saddam esmagou a oposição curda em toda a região e é acusado de lançar gás venenoso contra os moradores de Halabja, perto da fronteira iraniana, matando mais de 5.000 pessoas.

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