Pela primeira vez em cinco anos, a frase "campeão do mundo Michael Schumacher" adquiriu outra forma neste domingo: ex-campeão. O reinado do mais bem sucedido piloto da Fórmula 1 na história, com 84 vitórias e uma longa lista de recordes, chegou ao fim na casa da Ferrari, Monza, diante de 60 mil espectadores.
- O campeonato está acabado. Pelo menos para mim. Fui campeão por um longo período e estou mais do que surpreso por quanto durou. Sempre soube que um dia ia acabar - disse o alemão.
Agora, a 48 pontos distante de Fernando Alonso, da Renault, com apenas quatro corridas para o fim da temporada e o máximo de 40 pontos restando, o heptacampeão não pode mais reter a coroa que vem erguendo desde 2000. Alonso lidera o campeonato 27 pontos à frente de Kimi Raikkonen, da McLaren, e pode ficar com o título já no próximo final de semana, na Bélgica, o circuito favorito de Schumacher.
O alemão, apenas décimo em outro dia negro para sua equipe, que foi dominante ano passado com 15 vitórias em 18 corridas, aceitou a situação de forma realista e colocou Alonso como seu sucessor.
- Acho que após a corrida de hoje, você não precisa ser muito profético para dizer que o campeonato acabou. O campeonato é apenas uma pequena e teórica possibilidade para Kimi. Muitas coisas têm que acontecer para que Alonso não conquiste o título e não vejo elas acontecendo. Para mim, esse tema está acabado-- assim como as minhas chances terminaram há um bom tempo - disse o piloto, de 36 anos.
Sem luz
O alemão esteve entre os primeiros por um período na prova de Monza, mas ficou em nono após a última parada de combustível e depois saiu da pista na curva de Lesmo quando tentava ultrapassar a BAR de Jenson Button perdendo a posição para seu futuro companheiro de equipe, o brasileiro Felipe Massa. Pela segunda corrida consecutiva, a Ferrai não marcou pontos - fato raro para uma equipe que venceu os três últimos anos em Monza e foi campeã por seis anos seguidos.
Foi também a primeira vez na carreira de Schumacher que ele terminou o GP da Itália sem pontuar.
- Desistir não ajudaria nada. Fomos bem sucedidos no passado e outros ficaram atrás. Se a situação em que estamos nos faz desistir, seríamos maus perdedores e estaríamos subestimando nossos rivais - disse o alemão.
Schumacher viu uma pequena razão para a suspeita que havia uma luz no fim do túnel e ele não está esperando nenhum milagre em Spa.
- Gostaria muito de estar ansioso para ir para Spa, mas nossa performance no momento não é boa. Está claro que estamos muito devagar. É bem óbvio porque estamos lentos, mas não sei se essa é toda a razão - ponderou.
Após os jornalistas pedirem para que ele explicasse seu comentário, o alemão fez referência aos pneus Bridgestone:
- Acho que está bem claro que estamos falando do "ouro preto".