Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Desastre nuclear provoca forte abalo no governo japonês

A frágil trégua política no Japão pós-desastre nuclear terminou nesta quinta-feira, quando o líder do principal partido de oposição pediu ao impopular primeiro-ministro Naoto Kan que renuncie pela forma como lidou com as calamidades naturais e a crise nuclear no país.

Quinta, 14 de Abril de 2011 às 08:40, por: CdB
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A frágil trégua política no Japão pós-desastre nuclear terminou nesta quinta-feira, quando o líder do principal partido de oposição pediu ao impopular primeiro-ministro Naoto Kan que renuncie pela forma como lidou com as calamidades naturais e a crise nuclear no país. Na usina nuclear danificada de Fukushima Daiishi, no nordeste japonês, os engenheiros lutam para encontrar uma nova maneira de resfriar um dos seis reatores afetados, e a Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão disse que agora é "altamente improvável" que haja um furo na unidade de supressão do reator. Kan, cujo apoio popular está na casa de 30%, havia buscado uma ampla coalizão para ajudar o país a se recuperar de seu pior desastre nuclear e aprovar leis para financiar o maior projeto de reconstrução do país desde a II Guerra Mundial. O Partido Democrata, de Kan, controla a câmara baixa do parlamento, mas precisa da oposição para aprovar leis porque não detém a maioria na câmara alta, que pode bloquear os projetos. Mas o chefe do maior partido de oposição, o Partido Liberal Democrática (LDP na sigla em inglês) – que na semana passada descartou uma ação conjunta – aumentou a pressão nesta quinta-feira para que Kan renuncie. – Chegou a hora (de o primeiro-ministro) decidir se fica ou sai – disse Sadakazu Tanigaki em entrevista coletiva, segundo a agência de notícias Kyodo. O comentário de Tanigaki reflete a visão de muitos de seu partido conservador de que Kan deve se retirar como pré-condição para qualquer coalizão, assim como uma esperança de que as críticas a Kan dentro de seu próprio Partido Democrata aumentem depois que Ichiro Ozawa, fiel da balança do PD, repreendeu o premiê pela sua condução da crise. Takeo Nishioka, presidente da câmara alta e crítico notório de Kan entre os democratas, também exortou o líder de governo a renunciar, disse a Kyodo. Kan, entretanto, que assumiu em junho como o quinto líder do Japão desde 2006, não deve sair facilmente, e os partidos de oposição podem se ver atacados se tentarem fazer chantagem política com o orçamento de emergência, dizem analistas. – (Naoto) Kan provavelmente irá ignorar isso. Se eles (críticos de Kan) pensassem no interesse nacional, fariam isso agora? – afirmou Koichi Nakano, professor da Universidade de Sophia. Desastre nuclear O vazamento de radioatividade de uma usina nuclear está no centro da crise política que estremece o governo conservador de Naoto Kan. Segundo um técnico, cobrir com concreto os reatores da usina japonesa de Fukushima representaria um desafio muito maior do que em Chernobyl, segundo o executivo de uma empresa cujas bombas estão ajudando os esforços de resfriamento no local. – Em Chernobyl, onde um único reator foi coberto, 11 caminhões foram usados durante meses. Em Fukushima estamos falando de quatro reatores – disse Gerald Karch, executivo-chefe de assuntos técnicos da fabricante de equipamento Putzmeister, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters. Ele afirmou que, embora nenhuma decisão tenha sido tomada no Japão, cobrir os reatores com caixas enormes de concreto seria a solução mais sensata assim que a usina danificada for resfriada. – Em minha opinião, uma vez que um sistema de resfriamento de circuito fechado tenha sido desenvolvido e instalado com sucesso, não haverá opção além de encaixotar os reatores em concreto – disse ele. Karch acrescentou, entretanto, que a logística de tal operação – levar todos os caminhões necessários ao local, por exemplo – representaria um grande desafio para a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co (TEPCO). Na terça-feira, autoridades japoneses igualaram a gravidade da calamidade nuclear de Fukushima com o desastre de Chernobyl em 1986, depois que novos dados mostraram que vazou mais radiação da usina nos primeiros dias da crise do que se imaginou a princípio. – Sim, há certas semelhanças entre os dois eventos, mas ao mesmo tempo acho que não podemos fazer comparações. Ainda existe uma grande chance de estabilizar a situação (em Fukushima) – disse Karch. O desastre nuclear de Chernobyl resultou de uma única explosão, afirmou. Em contraste com o Japão, isso significa que os reatores não tiveram que ser resfriados e puderam ser envoltos em concreto logo após a explosão. A Putzmeister, que fabrica gigantescos guindastes montados em caminhões com gruas de até 70 metros de comprimento, enviou 11 veículos depois que a explosão seguida de incêndio no reator nuclear da atual Ucrânia disseminou enormes quantidades de radioatividade na atmosfera em 1986. Passados quase exatos 25 anos, a Putzmeister, que significa Mestre do Reboco, auxilia os esforços no Japão fornecendo equipamentos para bombear milhões de litros de água sobre os reatores aquecidos, danificados pelo terremoto de magnitude 9,0 e o tsunami que atingiram a região em 11 de março, seguindo-se ao desastre nuclear.
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